quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Na recepção

- Alo é da recepção?
- Não... Recepção, que recepção?
- Do hotel.
- Não é de recepção, você deve ter discado errado.
- Tem certeza que você não é a recepcionista?
- Como assim? Eu tenho certeza que eu não sou, isso é algum trote?
- Não eu to no hotel e tentei ligar para a recepção!
- Sinto muito, mas você deve ter discado errado.
- Estranho ta aqui no cartãozinho: numero da recepção, e esse numero.
- Mas não é!
- Ta bom então, desculpa.
- Está desculpado.
Desliga o telefone. Confere no cartão e liga novamente.
- Pronto.
- Alo recepcionista.
Silencio.
- Alo... Alo...
- Você ligou errado de novo.
- Oi?
- Você ligou pra minha casa de novo.
- Sério?
- Não eu to brincando.
Silencio.
- Qual é o numero que você esta ligando?
- Qual numero é o seu?
- Fala você quem ligou.
- é: zero, jogo da velha e o nove.
- Você discou isso e caiu na minha casa?
- é o que parece... estranho geralmente os números residenciais são sempre oito números.
- Mas aqui em casa também é!
- Tem certeza que não é zero, jogo da velha e o nove.
- Claro que eu tenho certeza.
- Vai ver então, deve ser alguma linha cruzada.
- Deve ser.
- Vou ter que descer lá pessoalmente. Desculpa o incomodo, vou aproveitar e falar disso pra ele.
- É aproveita.
- Obrigado, e novamente desculpa.
- Não esquenta, acontece.
- Tchau...
- Ei espera aí. – fala antes dele desligar.
- Oi?
- O que você queria na recepção?
- Não, não era nada, não esquenta.
- Que isso pode falar, vai ver eu posso ajudar. Já que incomodou tanto mesmo.
- Tem certeza que você não é recepcionista?
- Não... Bobo.
Os dois riem.
- E aí, o que era?
- O que?
- O problema?
- Ah... então, minha TV não está pegando.
- E isso acontece sempre aqui em casa também. Já tentou mexer no cabo?
- Cabo, que cabo?
- Atras da TV, as vezes está solto.
- Não, vou dar uma olhada. Obrigado.
- Que isso.
Desliga. Vai até a televisão, mexe no cabo, a TV volta a funcionar. Ele fica pensativo. Pega o telefone e liga pra agradecer. Dois toques. Atendem.
- Oi, pegou, brigadão!
- Pegou o que senhor?
- A TV, voltou a funcionar.
- Ela tinha parado de funcionar?
- Quem está falando?
- Da recepção.
Silencio.
- Alo, senhor, aconteceu alguma coisa.
Silencio.
- Senhor...
- Não, nada não, liguei enganado.
- Ta ok, precisando de algo é só ligar senhor.
Desliga o telefone. Vai assistir a TV que agora está funcionando. Mas só consegue pensar na “não-recepcionista”.

--------------------------------------------------

- Ei o que você ta fazendo?
- Guardando umas toalhas.
- Como assim?
- É brinde amor, por que você acha que deixam tantas toalhas assim? Como cortesia para os hospedes.
- Tem certeza.
- Sim, tem dez toalhas, ninguém usa dez toalhas em vinte quatro horas. Nós usamos a mesma toalha a semana inteira.
- Sera?
- To falando, ninguém usa tudo isso de toalha, nem o Tony Ramos não usa.
- É né!
- Claro, vai por mim eu já viajei muito.
- É eu sei, mas ainda bem que você parou de fumar...
Silencio.
- Pega os shampoo e os mini-sabonete no banheiro também
- Oi?
- Shampoo e mini-sabonte? Pra que?
- Ué vão ficar aí, ele vão jogar fora. Eles não reaproveitam essas coisas.
- Sim, mas não é pra nós levarmos também.
- Amor nós pagamos uma fortuna por uma diária, quando vi preço achei que era preço de uma mensalidade, não o de uma diária.
- Tem certeza?
- Sim, eles nem ligam.
- Então ta.
Continuam recolhendo as coisas. Ela vai mexer no frigobar.
- Ei, o que você está fazendo?
- Já que eles não reaproveitam as coisas vou pegar as coisas do frigobar.
- Não, você está louca?
- Por que?
- Isso é roubo!
- Ah é?
- Sim. Guarda esses refrigerantes lá e vem me ajudar a tirar esses lençóis.

---------------------------------------------

- Desculpa senhor, mas o café da manhã já encerrou.
- Mas pera aí, disseram que ficava até as dez.
- Pois é, e agora já são dez e quinze.
- Ah... Mas que isso moça ta cheio de gente comendo...
- Mas é que eles chegaram no horário.
- Eu sei, eu sei. Só que eu perdi a hora por que a mulher da recepção não ligou pra me acordar assim como eu tinha pedido.
- Sinto muito senhor.
- Senti muito? Senti muito?
- Sim, sinto muito!
- Eu quero falar com o seu gerente.
- Ele está na mesa tomando café!
- Então deixa eu entrar falar com ele!
- Sinto muito, mas só posso deixar entrar até as dez.
- Que palhaçada é essa.
- Não é palhaçada senhor, são as regras, está no contrato.
- Moça eu frequento esse hotel toda vez que venho a cidade, você não deve me conhecer por que é nova aqui.
- Deve ser.
- Então, abre uma exceção pra mim.
- O senhor vem sempre no hotel?
- Toda as vezes me hospedo aqui.
- Então o senhor sabe como funciona.
- Sim, eu sei.
- Então sabe que não podemos deixar ninguém entrar depois das dez.
- Ta, mas não vai mais acontecer.
- Que bom, eu não gosto de ter que barrar nenhum hospede.
- É deve ser ruim mesmo.
Ela fala, vira as costas e o deixa na porta.
- Ei, abre aqui então pra mim.
- Sinto muito, mas não posso! Se abrir pra você vou ter que abrir para os outros.
- Que outros não tem mais ninguém aqui.
- Isso é o que o senhor pensa. Isso é o que pensa.
Ele fica na porta, ela pega um prato e se serve com ovo mexido e salsicha com molho.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Casado ou castrado?!

- E aí doutora o que está acontecendo com ele?
- Ele está estressado!
- Estressado? Como assim estressado ele é um cachorro?
- É normal acontece com os cachorros. – os dois olham para o cachorro que está deitado num canto, amuado.
- Peraí, mas ele dorme o dia inteiro, come a toda hora e caga onde quer e está estressado?! Imagine se ele tivesse que aguentar o meu chefe, ele estaria tentando se suicidar.
Silencio.
- Ele é castrado?
- Marcamos a castração pra essa semana.
- Ah então deve ser isso. – olham novamente pra ele que parece ainda mais desanimado.
A noite.
- E aí amor, por que você está com essa cara?
- Nada não...
- O que o Brutus tinha?
- Tem!
- Nossa, o que é que ele tem?
- Ta estressado!
- Estressado, mas ele é um cachorro!
- Foi o que eu falei para a veterinária.
- Ele só come e dorme...
- E caga!
- Isso... Como isso pode gerar um estresse?!
- Parece que ele está assim por causa da – olha para o cachorro que está no mesmo lugar desde a manhã – castração. – fala baixando o tom de voz.
- Nossa Prestes, não tem nada a ver. Como se ele soubesse o que quer dizer castração.
- Xiii, fala baixo, ele já está estressado o suficiente.
- Não fala pra eu falar baixo, ele não sabe de nada, ele é um cachorro.
- Ele é um cachorro, mas tem sentimentos. Sabe o que vai acontecer, eles tem sexto sentido.
- Quem tem sexto sentido são as mulheres. E ele nem sabe o que vai acontecer.
- Sabe sim. E pensando bem acho que é melhor repensarmos isso.
O cachorro levanta as orelhas.
- Olha lá, viu como ele sabe.
- Para de viajar Prestes, ele não sabe de nada e mesmo se souber vai acontecer.
- Mas amor, você quer ter um cachorro estressado?
- Melhor um cachorro castrado do que um cachorro tarado. Eu não aguento mais ele trepando nas visitas.
- Mas ele é carinhoso amor.
- É, dizem que o cachorro se inspira no dono, devem estar certos.
- Só to falando o que a veterianaria, falou pra mim.
- Ela não sabe de nada.
- Não, ela estudou a vida inteira e não sabe nada.
- Pelo jeito não, pra falar que um cachorro está estressado, o que ela é psicóloga canina?
- É melhor pararmos com essa discussão por que quem está ficando estressado sou eu.
- É ainda bem que você já é castrado.
- Shiii! não fala essa palavra.
- Que mané shiii... Não faz shiii pra mim. Vamos castrar e ponto! – fala e sai.
- É amigão agora eu entendo por que você está estressado, deve estar pensando que ser castrado é viver igual eu, mas não se preocupe, você vai ser castrado não casado! É praticamente a mesma coisa, mas castrado ainda deve ser melhor.
Fala para o cachorro e sai. O cachorro levanta e sai andar também, agora com cara de aliviado.

-----------------------------------------------------

Depois de muita cerveja e conversa no bar ele pergunta pra ela.
- O que você diria se eu dissesse que estou apaixonado por você?
- Diria que está na hora de pararmos de beber. – fala e da risada, ele fica sério.
- Eu to falando sério.
- Eu também. – ri novamente.
- Já consigo ver tudo.
- Ah já?
- Sim, você entrando na igreja, linda, sua família de um lado a minha do outro.
- Ah é, o que mais?
- O padre nos abençoando, eu desmaio antes de dizer sim, me acordam jogando agua benta no meu rosto.
Ela só ri.
- O galo na minha cabeça não impede de prosseguirmos com o casamento.
- Nem o galo?
- Não, nem ele. Então vamos para a festa, ela está perfeita. A parte musical é comandada por um quinteto que não sei por que tem seis músicos, o jantar com um maravilhoso buffet e depois tem um DJ famoso, ele é um EX-BBB como você tinha pedido.
- Eu? Mas eu nem gosto de BBB.
- Mas as suas amigas sim e isso faz elas ficarem com inveja do seu casamento.
- Isso é verdade elas morreriam de inveja mesmo.
- Tudo na festa está perfeito...
- Mesmo assim algumas pessoas vão reclamar no outro dia.
- Mesmo assim!
Os dois riem.
- E aí o que mais?
- Finalmente chegamos a lua de mel, estamos no Havaí.
- Hum, Havaí.
- Você tem uma das melhores noites da sua vida.
- Nossa, modesto.
- Tenho meus segredos!
Os dois brindam.
- Temos nossa primeira semana em casa. Ali resolvemos tudo. Qual é o melhor quarto, a melhor posição da cama, onde vai ficar cada móvel. O controle da TV da sala fica comigo.
- Ei!
- Mas o do quarto fica com você!
- A bom.
- Eu cozinho nos fins de semana, você nos dias de semana.
- Por mim tudo bem!
- Você lava a louça eu enxugo.
Nessa hora ela levanta e deixa o copo de lado.
- Ei onde você está indo?
- Tava muito bom pra ser verdade.
- O que aconteceu?
- Eu não vou lavar a louça, é isso que você quer alguém pra lavar a louça, passar bem! – fala e sai.
- Mas se quiser eu lavo você enxuga. – fala, mas agora já é tarde ela já saiu.

--------------------------------------------
- Você lava tudo primeiro depois enxagua?
- Oi?
- A louça, você vai lavando e enxaguando ou lava tudo primeiro depois enxagua?
- Lavo tudo depois enxaguo.
- Muito bom, muito bom.
- E os talheres...
- O que é que tem os talheres?
- Você enxagua um por um, ou coloca todas numa vasilha maior e enxagua tudo de uma vez?
- Tem certeza que isso importa.
- Ei só responda as perguntas.
- Enxaguo um por um, enxaguar todos de uma vez pode deixar eles com gosto de detergente.
- É nunca tinha pensado dessa forma.
Silencio.
- E os copos, você usa a agua de um para enxaguar o seguinte.
- Mas o que tem...
- Só responda sim ou não.
- Sim!
Anota alguma coisa na prancheta.
- Ta ok pode ir.
Pega os documentos, da partida no carro e vai sair.
- Opa, opa... Espera aí?
- O que foi? Alguma coisa errada?
- Quem enxuga a louça?
- Oi?
- Depois que você lava, quem é que enxuga e guarda a louça?
- Eu deixo no escorredor depois só guardo elas.
Faz mais algumas anotações.
- Tudo bem pode ir.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Festa da empresa

Festa de fim de ano da empresa. Fila para o buffet.
Carlos – Nossa que buffet mais sem vergonha hein... – coloca a salada no prato.
Lauro – Nem me fale, a gente trabalha o ano inteiro e essa é a recompensa. – passa reto pela salada.
Carlos – Ainda bem que não vamos ter trabalhar depois de comer...
Lauro – Shiii! Não da idéia que é capaz deles querer que a gente trabalhe.
Pega uns ovinhos de codorna.
Lauro – Sorte que eu belisquei alguma coisinha em casa. – pega arroz com passas.
Carlos – Pior que eu não, to morrendo de fome, quer dizer tava, até ver esse buffet. – Também pega arroz.
Lauro – Porque que colocam passas em tudo na época do natal? – fala e para.
Carlos – Acho que é para aproveitar a safra.
Lauro – Mas eu nunca vi pé de uva passa.
Carlos – Ah não tem aqui no Brasil. – Segue o fluxo da fila, que anda lentamente.
Lauro – Deve ser isso mesmo. Porque você não a vê o ano inteiro, mas chega fim do ano colocam em tudo. – coloca uma colherada de peru com passas.
Carlos – É que representa o espírito natalino...
Lauro – Por que?
Carlos – Se não me engano foi uma dos presente que levaram pra Jesus na manjedoura.
Lauro – O que... Um pacote de uva passa?
Carlos – Não foi um pacote, naquela época não tinha em pacote, foi mirra com uva passa. – pega farofa com uva passa.
Lauro – Onde você viu isso? – para e fica o olhando.
Carlos – Tem numa passagem da bíblia.
Lauro – Deve ser mesmo, mas precisam colocar em todas as comidas? Na páscoa não colocam chocolate em tudo!
Carlos – Ah, mas é que eles usam como um artifício pra tentar disfarçar a cara feia das comidas. – pega pernil com molho de passas.
Lauro – Então deve ser por isso que esse buffet ta cheio delas.
Carlos – Aposto que o chefe não vai comer essa comida nem ferrando.
Dão de cara com o chefe. Que fura a fila pra pernil com passas.
Chefe – Opa, da uma licençinha pra mim.
Os dois param e sorriem. “Toda!”.
Chefe – E aí, o que acharam do buffet?
Carlos – Maravilhoso, ta melhor do que o do ano passado.
Lauro – Não que o do ano passado tivesse ruim, mas é que o desse ano superou.
Chefe – Ah que bom que gostaram, depois peguem uma sobremesa tem gelatina com passas.
Com certeza, falam os dois em coro.

--------------------------------------------

Paula – Menina olha a mini-saia da Claudia.
Ana – Aquilo é uma mini-saia? Pensei que fosse um cinto.
As duas caem na gargalhada.
Paula – Não sabia que era festa temática...
Ana – Temática?
Paula – É, era pra vir vestida igual funkeira...
Riem juntas novamente. Silencio.
Paula – Sei não, acho que ela está de rolo com o chefe.
Ana – Será?
Paula – Hum... Não desgruda dele.
Ana – Não, ela ta auxiliando na festa...
Paula – Mas desde o meio do ano? Olha lá como ele faz tudo pra ela...
Ana – Ele só esta sendo educado.
Paula – Esse não é o tipo de educação que eu quero passar para os meus filhos.
Ana – E outra, ele é casado. Olha, ta com a mulher ao lado dele...
Paula – E a amante do outro. – completa.
Ana – Aí que maldade.
Paula – Maldade nada é a mais pura verdade.  Não dou três meses pra ela subir de cargo.
Ana – Que isso, o chefe não é desses...
Paula – Você quem pensa, porque não tem os artifícios dela...
Ana – Oi?
Paula – Ele não quer saber da gente, quer saber das novinhas, ele não faria nada conosco, agora com ela, deixa ela abaixar-se pra pegar alguma coisa pra você ver, ou vai dar processo ou aumento!
Ana – Pera aí, fale por você.
Paula – O que?
Ana – Saiba que o chefe já deu em cima de mim, eu é que não retribui...
Paula – Ele só estava sendo educado.
Ana – A nela ela está dando em cima, quando é comigo está sendo educado!?
Paula – É a verdade, se fosse mesmo não estaria a tanto tempo no mesmo cargo.
Ana – Olha quem fala...
Paula – Por isso que eu falei, NÓS, por que eu também não tenho chance.
Ana – É você não tem mesmo, agora eu minha querida... Você não viu o jeito que ele olhou pra mim o dia que eu abaixei pra colocar o café na mesinha.
Paula – Olhar ele até pode olhar, agora dar um aumento, aí já é outra coisa... – desconversa. – olha lá não para de gracinhas, mas é uma exibida.
Ana – Você duvida. – levanta da cadeira.
Paula – Duvida o que?
Ana – Que o chefe fica comigo e eu ganho um aumento.
Paula – Para de viajar, senta aí. Vamos falar da Marina...
Ana – Então fica vendo. – vai em direção a mesa do chefe, cruza com o marido.
Pedro – Peguei gelatina de uva passa.
Ana nem da bola e segue. Pedro chega à mesa.
Pedro – Onde a Ana foi tão determinada?
Paula – Ser promovida... ou despedida.

--------------------------------------------

Fim de festa
Agenor – Esse daqui é o melhor patrão que existe. – grita bêbado na orelha do chefe.
Chefe – Que isso, vocês merecem.
Agenor – Não merecemos tanto.
Chefe – Merecem sim.
Agenor – Ta bom, nós merecemos sim. Pode dar um aumento pra nós.
Todos riem. Inclusive o chefe.
Agenor – O senhor fez essa festa, pagou tudo, a comida, a bebida, o DJ...
Chefe – É o mínimo que eu posso fazer.
Agenor – É, isso é verdade, é o mínimo mesmo, por que aquele buffetzinho tava ruim, o do ano passado até que passava, mas esse ano... Meu Deus. – aponta com indicador pra dentro da boca com ar de desaprovação.
Todos riem, de novo. Agora o chefe não ri tanto.
Chefe – Ah não tava tão ruim assim, é que você está mal acostumado, sua senhora cozinha bem.
Agenor – Negativo, não, não. Não! Minha mulher é muito ruim na cozinha, só não é pior do que na cama.
Dessa vez até o chefe ri.
Agenor – E mesmo assim eu preferia ta comendo a comida dela ou estar na cama com ela do que ter comido daquele buffet.
Todos param de rir.
Agenor – Gelatina de uva passa? É isso que nós merecemos? E eu achando que tinha feito um bom trabalho durante o ano.
Chefe – Mas fizeram, todos fizeram.
Agenor – Então o senhor podia ter pedido um pudim, né!?
Junta mais funcionários, e os que acabaram de chegar puxam palma.
Chefe – Ano que vem eu peço pra fazerem pudim pra vocês.
Agenor – Obrigado.
Todos riem pensando que foi o fim da discussão, o chefe vai saindo.
Agenor – E a Claudia vai comer logo, ou vai ficar empatando pra gente.
Chefe – Oi?
Agenor – A recepcionista. Todo mundo viu que ta rolando algo.
Chefe – Me respeita minha mulher ta aqui.
Agenor – A minha também, mas nem por isso eu não ficaria com a Claudia.
Chefe – A Claudia é a apenas minha funcionaria, como qualquer um de vocês aqui.
Agenor – Não, não. O senhor nunca olhou pra minha bunda, ou ficou derrubando a caneta toda hora pra eu pegar e o senhor ver meu decote.
Alguns riem, outros ficam com medo. O chefe ri.
Chefe – Boa.
Agenor – Boa mesmo, eu no seu lugar já tinha dado um cargo maior pra ela e feito a festa.
Chefe – Que isso, eu nunca faria um coisa desta.
Agenor – Então promove ela e deixa que a gente faz! – fala e da risadas.
Chefe – Agenor você é uma figura. – fala e vai saindo.
Agenor – Valeu chefe, e você é um puta chefe, ou um chefe com uma recepcionista puta. – da risada e aquelas cutacadinhas que só os bêbados chatos dão.
Chefe – Rá, rá, rá...
Agenor – Esse é o nosso chefe. Uma salva de palmas pra ele. O senhor uva passa.
Todos riem e aplaudem.
Agenor – Velho, enrugado e só da as caras no fim do ano.
Todos continuam rindo.
Chefe – Esse Agenor não é facil. – fala e vai saindo – até segunda Agenor.
Agenor – Até, senhor Passas.
O chefe sai e todos ficam rindo do Agenor.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Isso é um assalto...

Um homem está falando ao celular, num caixa 24 horas quando sorrateiramente outro homem, com um gorro na cabeça, chega por trás.
- Fica quietinho e passa tudo.
- Oi, só um pouquinho aqui querido. – fala sem nem se dar ao trabalho de olhar para trás.
- Desliga esse celular. – cutucando com algo que está escondendo dentro da blusa.
- Calma, já to terminando. – tirando o celular do ouvido, mas ainda sem olhar para trás. – Não, não é com você amor, é um apressadinho que está aqui atrás.
- Ei presta atenção aqui.
- O que é que é pra comprar no mercado?- ignora o bandido.
- Ei! Eu to falando com você.
- Só um pouquinho amor. – ele se vira pra trás e da de cara com o cano da arma, que ainda está escondida na blusa. – Espera aí vamos conversar. Não, não é com você amor.
- Desliga o celular e passa pra cá.
- Mas a minha mulher...
- Desliga logo. – grita e sacode o bolso, que contém a arma.
- Toma. – da o celular.
- Agora me da a carteira, sem escândalos pra não chamar a atenção.
- É essa meia calça na cabeça não ta chamando atenção quase, né!?
- Ah é... Passa logo a carteira! Anda, vai...
- Mas só tem meus documentos na carteira, não tem dinheiro.
- Ah não?
- Não, por isso que eu tava sacando.
- Então pode continuar a operação.
- Oi?
- Saca o dinheiro, me da e eu vou embora.
- Pensando bem pode levar a carteira. Já tava precisando renovar meus documentos, ta tudo com foto antiga. E outra bolei uma assinatura nova...
- Saca logo, caramba! – grita interrompendo-o.
- Mas eu não sei a senha.
- Como não sabe a senha? Ta me achando com cara de trouxa?
- Não, longe de mim, diga-se de passagem, você tem cara de ser muito esperto, se não tivesse virado bandido com certeza tinha virado médico...
- Advogado!
- Oi?
- Eu queria ter virado advogado.
- Mas da tempo ainda, quantos anos você tem? 25, 26...
- 35.
- Ah mentira.
- Sério.
- Caramba se eu chegar na sua idade assim eu to feito.
- É só dormir bem, o segredo é ter um bom sono.
- É, se eu não trabalhasse eu ia dormir bastante mesmo.
- Ei, olha o respeito! Não é por que eu sou bandido que eu durmo o dia inteiro.
- Desculpa...
- Ta louco... Chega de papo, tira a grana aí.
- Já falei que eu não consigo.
- Porque não?
- Por que é o cartão da minha mulher, só ela sabe a senha.
- Saca com o seu.
- Ih o meu ta no LIS. O banco chegou antes que você e já roubou tudo que eu tinha.
- É estamos perdendo mercado para os bancos.
Os dois assentem com a cabeça como se estivessem concordando.
- Você não tem nada de dinheiro aí?
- Pior que eu não tenho nada mesmo, pode revistar.
- Não, eu acredito em você... O ruim é que se eu chegar sem nada em casa minha mulher vai ficar uma fera.
- E se eu chegar sem o pão, a minha que vai.
- É, mas você pelo menos tem um bom motivo, foi assaltado. E eu vou falar o que?
- É...
- Sabe onde tem outro banco por aqui?
- Se eu não me engano tem outro a duas quadras daqui.
- Vou lá então, ver se levo a sorte de aparecer alguém. – fala e vai saindo.
- Vai lá.
- Ei toma seu celular de novo, gostei de você. – volta pra entregar o celular.
- Se você gostou mesmo, fica com ele, pelo menos minha mulher vai acreditar em mim, e talvez pare de me ligar de cinco em cinco minutos.

---------------------------------------

Dois homens estão parados, dentro de um carro, enfrente a um banco.
- Então vamos fazer o seguinte. Vamos entrar como quem não quer nada, você fica na porta e eu vou para os caixas.
- Mas como vamos entrar como quem não quer nada armados? Vamos travar na porta. Se com moeda trava, imagina com uma arma.
- Eu consegui armas de fibra.
- Sério?
- Aham! Estudei sobre elas, passa por qualquer detector sem correr o mínimo risco.
- Onde aprendeu sobre isso?
- Fiz um curso de tiro e conhecimento sobre armas.
- Legal.
- É, mas vamos ao plano, você vai abordar...
- Deixa eu ver.
- O que?
- As armas!
- Espera, deixa-me terminar de falar o plano... Então você cuida dos seguranças...
- Foi caro? – pergunta interrompendo.
- O que?
- As armas, foram caras?
- Um pouco, mas eu pesquisei bem antes de comprar.
- É, não da pra comprar a primeira arma que vê na frente.
- Não da mesmo.
Silencio.
- Vamos voltar aqui. Então você cuida dos seguranças, eu vou travar o sistema de câmeras.
- Orra...
- O que?
- Não sabia que você sabia fazer isso.
- Eu fiz o curso de instalador de câmeras de segurança.
- Bom o curso?
- Até que é, deu pra aprender bastante coisa...
Mais um silencio.
- Então, eu vou travar o sistema...
- Quanto tempo? – interrompendo novamente.
- Pra travar o sistema, no maximo um minuto.
- Não, quanto tempo de curso?
- Três meses.
- Tudo isso?
- É, mas é o completo, teve algumas coisas sobre filmagem também.
- Queria fazer esse curso aí.
- Depois eu te passo o contato. Agora vamos focar aqui. Eu travei o sistema. Você vai retirar o dinheiro dos caixas enquanto eu imobilizo os seguranças.
- Você, imobilizar, até parece.
- Eu fiz algumas aulas de imobilização e defesa pessoal.
- Ah fez?
- Fiz.
Silencio.
- Pensando bem eu não quero mais fazer isso não? – fala e vai descendo do carro.
- Espera aí, por que não? Ta tudo pronto, é só eu terminar de te dizer o plano e entramos em ação.
- Ah não, você ta fazendo tudo, teve a idéia, bolou o plano, comprou as armas, fez cursos, e eu?
- Não tem problema, o dinheiro vai ser dividido em partes iguais do mesmo jeito.
- Como eu vou saber se vai mesmo, vai que você fez um curso de contabilidade e quer me enganar. – sai do carro. – Era pra ser um roubo amador, mas você estragou tudo. – bate a porta e vai embora.

---------------------------------------

Um mendigo está dormindo, chega um homem de terno gritando, fazendo-o acordar.
- Ei, acorda aí.
- Ah me deixa dormir só mais um pouquinho. – virando pro lado.
- Acorda vagabundo. – fala dando chutinhos nele.
- Só mais cinco minutinhos mãe.
- Que mané mãe, acorda. – puxa o jornal que ele estava usando de coberta agora o fazendo acordar de vez.
- Ei o que está acontecendo aqui?
- Isso daqui é um assalto, passa tudo. – grita apontando uma arma para o mendigo.
- Que palhaçada é essa? É alguma pegadinha? Amanhã eu tenho que acordar cedo.
- Não é pegadinha nenhuma não, passa tudo! – gritando. – Espera aí você disse que tem que acordar cedo?
- É, pra pedir dinheiro na padaria. É a hora que mais rende, tem vários executivos lá.
- Ah, entendi.
- Então, faz favor me deixa dormir. – pega o jornal, vira pro lado e se cobre.
- Que dormir, olha aqui, passa o papelão cacete.
- Você ta falando sério mesmo?
- Nunca falei tão sério!
- Ih, então você ta mal hein...
- Ei olha como você fala comigo, eu to armado cara.
- Desculpa.
- Passa o papelão, o jornal, e essas latinhas aí.
- Não, as latinhas não.
- Da logo as latinhas.
- Mas eu ia vender elas amanhã, juntei a semana inteira. Me mata mas não leva as latinhas.
- Não vou te matar, passa tudo logo. – pega as coisas com uma cara de nojo e vai saindo.
- Minha vida estão nessas coisas.
- Hum, devia ter pensando bem antes de ficar se mostrando com elas em baixo de qualquer ponte. – fala e sai correndo derrubando algumas latinhas. – E não chama a policia. – grita de longe.

domingo, 20 de novembro de 2011

Falando sozinho

Os dois estão sentados no sofá assistindo televisão.
- Aí... Tava aqui pensando...
- O que?
- Ah... Nada não, esquece.
- Começou a falar, agora fala.
- Mas eu não comecei a falar, só disse que tava pensando.
- Mas o que você tava pensando?
- É besteira.
- Fala!
- Esquece continua assistindo.
- Não quero mais assistir. – fala e desliga a TV – Quero saber o que você estava pensando!
- Não era nada demais. – Liga a TV – assiste lá!
- Não tem problema. Quero saber o que é. – Desliga a TV.
- Eu já esqueci. – Liga a TV.
- Fala... Eu quero saber. – Desliga a TV e tira as pilhas do controle – Se não depois você fica falando que eu não ligo pra sua opinião.
- Mas não é minha opinião, era só um pensamento. Da as pilhas.
- Só depois que você me contar o que tava pensando.
- Não era nada demais. Da as pilhas aí amor.
- O que você tava pensando.
- Aí Cleiton que chato.
- Só falar.
Silencio.
- Fala!
- Aí... Tava pensando: to com uma vontade de comer um doce, bem que você poderia ir comprar um sorvete pra gente.
Mais um silêncio.
- O que, era isso?
- Sim. – pega as pilhas da mão dele, coloca no controle e liga a TV.
- Não acredito.
- Era isso, eu disse que era besteira.
- Eu pensei que você tava falando que era besteira pra não precisar falar.
- Não era besteira mesmo.
Silencio.
- E aí o que você acha?
- Do que?
- De ir lá comprar um sorvetinho pra gente.
- Ah eu to assistindo, né! – fala sem tirar os olhos da TV.
Ela pega o controle, desliga a TV e tira as pilhas.
- Pra saber o que eu tava pensando você não tava assistindo, né.

---------------------------------------

O pai para na porta do quarto do filho, que está jogando vídeo game e nem da atenção.
- Filho vem cá. – assente com a cabeça.
- Agora pai? – pergunta sem nem mesmo olhar para o pai.
- Não semana que vem.
Silencio.
- Filho.
- Ãhm?
- Vem!
- Onde? – sem tirar os olhos da tela.
- Cá!?
- Mas eu to jogando.
- Não quero saber o que você ta fazendo, quero que você venha.
- Espera aí.
- Espera o que?
- Espera só eu salvar.
- Salvar o que? Você virou herói e ninguém me avisou.
- Salvar o jogo.
- Acho melhor vir agora se não você vai ter que arrumar alguém pra TI salvar.
- Ta bom, to indo...
Silencio.
- Pedro.
- O que?
- Vou ter que falar de novo?
- Falar de novo o que? – apertando os botões cada vez com mais força, e ainda sem olha para o pai.
- Que é pra você vir aqui.
- Mas eu já to indo.
- É pra vir já!
- É a ultima fase.
- É meu ultimo aviso.
- Se eu desligar agora perco todo jogo.
- Se você não vir agora você vai perder o vídeo-game.
- Ta bom. – vai em direção ao vídeo game mas ainda jogando.
- E aí.
- Espera aí... Espera aí... Espera aí...
- Eu já to esperando a tempo demais.
- Só mais um pouquinho, mais um pouquinho, mais um pouquiii...
O pai entra no quarto e desliga vídeo game.
- Pai! – grita o filho.
- Filho.
- Porque você fez isso? Era o ultimo chefão.
- Não, não. Eu sou o chefão aqui. Agora vem! – sai do quarto com ar de superior.

---------------------------------------

O marido escuta a mulher conversando com alguém ao entrar na cozinha.
- Com quem você estava falando?
- Oi?
- Você, estava falando com quem?
- No celular, com a Meire.
- Ué, mas seu celular ta la na sala.
Silencio.
- Você estava falando sozinha, de novo?
- Não. Eu tava falando com a gata.
A gata entra na cozinha se espreguiçando como se tivesse acordado de um sono de mil anos.
- Com ela?
- Porque você quer saber com quem eu tava falando?
- Porque eu quero saber se a minha mulher ta ficando louca.
- Desde quando falar sozinho é sinal de loucura?
- Não sei, desde sempre!
- Aí nada a ver. Eu não tenho culpa se meu marido não conversa comigo.
- Ei, não vem jogar a culpa da sua loucura em mim.
- Que loucura? Eu só tava pensando alto. E outra se eu tiver ficando louca pode ter certeza que você vai ser o primeiro a saber.
- Ta bom desculpa. – Sai da cozinha resmungando. – E o primeiro a fugir!
- O que você disse aí?
- Nada, tava pensando alto.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Bola fora

No mercado
- Opa e aí Paulo...
- Pedro...
- Não eu sou o Junior, não lembra de mim, colégio e tals...
- Sim lembro, to falando eu sou Pedro não Paulo...
- Pedro, Paulo tudo apóstolos... Quanto tempo hein...
- Pois é faz um tempo...
- Quanto mais ou menos?
- Ah, um tempão.
- Pois é faz tempo!
Silencio
- E aí o que anda aprontando?
- Ah nada demais, só correndo.
- É, a correria não para!
- E você?
- Correndo também.
- É não é fácil.
- Não é pra ninguém...
- Pra ninguém.
- Ninguém...
Mais um silencio.
- E a mulherada? Ãhm? Você era garanhão, todo mundo dizia que você não ia casar nunca.
- Casei!
- Meus parabéns...
- Valeu!
- E você e a Jennifer estão juntos ainda? Eram um casal inseparável, todo mundo tinha inveja...
- Nos divorciamos...
- Hum, acontece né, a vida é assim mesmo, bola pra frente.
- É!
Silencio
- E o futebolzinho? Você era bom hein... Foi o melhor lateral que eu já conheci!
- Eu jogava de gol.
- Isso melhor goleiro, melhor goleiro!
- Não jogo mais...
Silencio, novamente.
- E aí já teve filhos? Tem cara de quem já tem pelo menos uns 3...
- Descobri recentemente que sou estéril.
- Ah filho pra que né só enchem o saco... Não ta perdendo nada, só dão trabalho!
- To querendo adotar um!
- Eu ia te dar essa dica, adotar, pai é o que cria não o que esquece na escola, ou alguma coisa assim.
- Atenção senhor Leandro, senhor Leandro, a senhora Flavia te espera no caixa três.
- Ih não da mais pra se esconder te descobriram! É a policia... Mulher no mercado é assim mesmo... Não da nem pra se esconder...
- É a minha sogra!
- Pior ainda... se quiser te dou cobertura – fala e cai na gargalhada.
- Ela é deficiente...
- Hum... – todo sem graça.
- Melhor eu ir indo. – já saindo fora.
- Ah eu tenho que ir também...
- Abraço... Da um abraço na sogra!
- Abraço. – sai.
Chega uma mulher.
- Com quem você tava conversando?
- Ah era um amigo meu do tempo do colégio.
- Ah é... Teu chegado?
- Um dos meus melhores amigo.
- Ah então vamos lá convidar ele pra ir lá em casa jantar com a gente.
- Ih não dá?
- Por quê? É conhecido seu, você tem tão poucos amigos amor.
- Porque, por que... Ei eu não tenho poucos amigos!
- Ah não? Cita três pra mim. – para com a mão na cintura, e batendo o pé como toda mulher faz ao desafiar o marido.
- Tem o Kleber.
- Ele não é teu amigo, é teu colega.
- E qual é a diferença?
- Amigo é chegado, colega não.
- Ta bom, tem o Peter.
- Colega.
- Jeff.
- Colega de futebol.
- Ta bom ele não era meu amigo, era só um conhecido da época de colégio que eu queria ver se conseguia reatar alguma coisa pra ter um amigo.
- Mas você não tem jeito mesmo, fica mentindo me enchendo de esperança achando que você tinha encontrado alguém. Vou te contar. – pega o carrinho de compra e vai embora.

---------------------------------------

No meio da noite ele é pego com a boca na butija atacando a geladeira.
- A-Rá! Muito bonito.
- O que, o que foi? – jogando as comidas pra cima.
- O que você pensa que está fazendo?
- O que eu estava fazendo?
- Eu perguntei primeiro.
- Eu não sei...
- Não se faça de bobo Roberto.
- Não estou me fazendo de bobo, juro que eu não sei o que eu to fazendo aqui.
- A você não sabe?
- Não!
- Não?
- Não!
- Então deixa eu explicar. Você estava assaltando a geladeira, de novo.
- Sério?
- Ah, toma vergonha nessa cara.
- Juro que eu não sei como eu vim parar aqui.
- De novo essa do sonâmbulo?
- Dessa vez não é mentira.
- Das outras três vezes também não era.
- Aquelas eram, mas agora não é.
- Roberto...
- Juro! Deitei e dormi como sempre. Não sei como vim parar aqui.
- Como eu vou acreditar em você?
- Porque eu mentiria sobre uma mesma coisa, de novo?
- Porque você é um cara de pau.
- Tirando isso?
- Porque você não tem um pingo de vergonha na cara!
- Ta bom, não tenho credibilidade, mas juro que dessa vez é verdade.
- Roberto.
- Juro. A ultima coisa que eu lembro é de estar deitado na cama.
- É eu também, você estava deitado lá quando eu peguei no sono, então acordei pra vir tomar uma água e dei de cara com você!
- Pera aí porque veio até a cozinha tomar água se temos do lado da cama.
- Oi?
- Você veio aqui assaltar a geladeira também?
- Quem eu...
- Não eu...
- Eu vim te procurar...
- Procurar? Acabou de falar que tinha vindo buscar água!
- Não muda de assunto, você é quem está errado, não fui eu quem foi pego dentro da geladeira.
- Não foi porque eu vim antes.
- Então você não estava sonâmbulo coisa nenhuma.
- Quem ta mudando de assunto agora é você.
- Não acredito que eu quase cai nesse papo de sonambulismo de novo. Mas faz isso, continua assaltando a geladeira a noite que você vai muito longe, você ouviu o que o médico Roberto, você ouviu. Agora da licença que eu vou pegar o pudim porque eu estou estressada. – tira ele de dentro da geladeira e o empurra para o sofá.
- Boa desculpa. – resmunga.
- O que você disse?
- Nada.
- Olha eu só não mando você dormir na sala porque é mais perto da cozinha. – fala, vira as costas e vai em direção ao quarto. – Vem pro quarto.
- To indo vou tomar um copo de água.
- Tem água aqui no quarto. – Grita da cama.