domingo, 16 de outubro de 2011

A Batida

Depois de uma batida. Desce um de cada carro, ele achando que quem está errado é ela, e ela achando que quem está errado é ele.
- O senhor ta cego?
- O que? Eu? Eu o que?
- É e pelo jeito também ta surdo!
- Espera aí minha senhora quem tem idade pra ta surdo ou cego aqui não sou eu não!
- O que o senhor ta insinuando?
- Não estou insinuando nada, ainda!
- Você não viu meu carro não?
- Vi infelizmente eu vi. Você não sabe o que eu não daria para não ter visto.
- Se o senhor viu então porque não freio?
- Não sei, vai ver eu achei que tava brincando de carrinho de bate-bate! É lógico que eu freei, foi você quem não freou minha senhora!
- Minha senhora é o cambau, sua senhora ta na puta que te pariu. Se eu fosse sua senhora eu não deixaria você ter comprado carro.
- Ah você bate em mim e a culpa é minha?
- Eu bato em você? Eu. Bato. Em você?
- E depois eu é que quem estou surdo...
- Eu queria muito bater em você, mas não com o carro, sim com uma marreta!
Chega a policia para esfriar a discussão.
- O que está acontecendo aqui? – pergunta calmamente o policia.
- Daí eu concordava em arcar com as conseqüências. – disse ela.
- O que está acontecendo? – novamente pergunta o oficial.
- É pelo menos pra usar a marreta não precisa ter carteira!
- O que aconteceu aqui, cacete. – finalmente fazendo-os o ouvir.
Silencio. O guarda olha para os dois.
- É que alguém aqui tem dificuldades de diferenciar o freio do acelerador.
- Tem mesmo, mas não se preocupe que depois desse acidente ele vai se esforçar pra decorar.
- Não vão começar porque se não vou levar os dois em cana. – disse com aquela autoridade que só uma autoridade tem.
Silencio.
- Agora me digam o que houve.
- Eu ta vindo lá de baixo, dei o sinal pra pegar a direita...
- Nossa ele sabe diferenciar direita e esquerda. – interrompendo-o.
- Minha senhora deixa ele terminar a história dele.
- Desculpa, desculpa.
- Eu dei o sinal, e como eu vi que ela tava vindo muito rápido...
- Muito rapido? Muito rápido pra quem? Para o Rubinho?
- Minha senhora eu vou ter que pedir de novo?
- Hoje eu acordei senhora de todo mundo. – resmungou.
- O que a senhora disse? – virou segurando o cassetete para intimidá-la.
- Disse que não vai precisar pedir de novo!
- Então eu freei pra evitar o pior.
- E pelo jeito não adiantou... – ironizou o policia.
- É... Teria adiantado se ela soubesse que o freio é o do meio.
Silencio.
- Posso contar a minha versão agora?
- Sua versão?
- Pode.
- Eu vinha descendo a rua na velocidade permitida, mas como era uma decida a tartaruga Touché aí teve a impressão que eu estava rápida.
- Tartaruga Touché? Você é mais velha do que eu imaginava.
- O senhor vai deixar ele me insultar assim?
- Fica pelo tartaruga Touché. Agora prossiga a história.
- Velha... Hum... Então eu tava descendo, dei o pisca para a esquerda, e como ele já tava devagar e reduziu, e a preferencial não é de nenhum dos dois, então achei que ele estava sendo cavalheiro e me dando a vez.
- Como assim cavalheiro? Não existe cavalheiro desde o tempo da tartaruga Touché
- É ainda bem que você não é um cavalheiro assim eu não vou precisar ficar com dó na hora de cobrar o estrago.
- Você cobrar o estrago? Eu to certo e ainda vou ter que pagar. Acho que você está enganada.
- Estou enganada em estar discutindo com você, só vou pegar o numero da sua placa e ir embora.
- Não precisa pegar só o numero não, pega a placa inteira você já arrancou ela do meu carro mesmo.
- Ei, Ei. – gritou o policial.
Silencio.
- Vocês esqueceram que eu to aqui?
- Não, desculpa seu guarda. – disse ela.
- Se você não é a “minha senhora”, eu também não sou o “seu guarda”.
- Viu, deixa a lei falar.
- E você também fica quieto aí.
- Desculpa.
- Só quero dizer que cada um vai pagar o seu estrago.
- Pera aí policial eu não tenho dinheiro pra pagar isso agora, to apertado.
- Não acredito nisso meu marido vai ficar louco.
- Ficar louco? Ele é louco de ser casada com você.
- O que você disse aí. – partindo pra cima dele.
- Eita mais esqueceram de novo que eu to aqui? Quer ver eu levar os dois em cana.
- Desculpa.
- Desculpa.
- Vamos terminar logo com isso, cada um vai arcar com o seu estrago.
- Ta bom né, fazer o que... – disseram os dois, e já iam se encaminhando cada um para o seu respectivo veiculo.
- Pera aí não terminou, vamos até a viatura comigo.
- Ué porque? Já não ta resolvido?
- Até a viatura? Eu já perdi muito tempo aqui.
- Já ta resolvido sim. Só falta entregar a multa para os dois.
- Multa? – disseram novamente em coro.
- Multa por estarem entrando em uma rua contra a mão.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Briga de criança

- O ultimo a ser pego conta!
- Não! O primeiro conta.
- Se for o primeiro os outros vão se entregar.
- Se for o ultimo os primeiros vão se entregar.
- Que tal se o do meio contar.
- Do meio?
- É tipo o terceiro...
- Mas aí o os dois primeiros e os últimos vão se entregar.
- Tem que ser o primeiro, sempre foi o primeiro.
- Não, não. Sempre foi o ultimo.
- Eu só vou brincar se quem contar for o ultimo.
Toca um sinal.
- Fim do intervalo. – vem uma voz do fim do corredor.
- Aí viu, ficam discutindo nem deu tempo de brincarmos.
- Falei pra ser o ultimo, mas não...
- É o primeiro...
- Resolvemos isso agora na parte da tarde...
- Isso aí, amanhã a gente almoça rapidão e brinca antes de trabalhar.
- Ta, então vamos porque eu tenho que enviar uns relatórios até as duas...

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- Pai, pai...
- O que foi?
- Posso ir dormir na casa do Pedro?
- Hoje? E hoje lá é dia de dormir na casa dos outros?
- Não sei... Tem dia pra dormir na casa dos outros?
- Tem e coincidentemente não é hoje.
- Da onde o senhor tirou isso?
- Do manual de como educar os filhos, lá diz que dia de semana não é dia de dormir na casa dos outros...
- Existe um manual... A pai o senhor ta mentindo...  E não é os outros é o Pedro!
- A mãe dele sabe?
- Sabe.
- O pai dele sabe?
- Sabe...
- E mesmo assim eles deixam?
- Sim!
Silencio, o pai volta a olhar para o jornal, enquanto o filho fica olhando para ele.
- E aí?
- E aí o que?
- Posso ir?
- Pode ir onde?
- Pai!
- Pede pra sua mãe.


- Mãe, mãe...
- Que foi? To assistindo minha novela!
- Posso ir dormir lá na casa do Pedro?
- Hoje?
- Não mãe é daqui a três anos, mas eu já resolvi pedir agora!
- Augusto não fala assim comigo eu sou sua mãe.
- É mãe, é hoje...
- O que é que vai ter lá hoje?
- Cama e sono.
- Mas aqui também tem isso. Porque ele não vem dormir aqui?
- É que vai ta todo mundo lá!
- Todo mundo quem?
- Todo mundo da galera.
- E a mãe dele sabe que vai estar todo mundo lá?
- Não mãe, nós vamos chegar lá e fazer uma surpresa...
- Augusto! Olha a boca.
- A mãe dele sabe, mãe.
Silencio, a mãe volta a ver novela e ele fica olhando pra mãe.
- Mãe!
- Não grita moleque.
- E aí?
- E aí o que?
- Posso ir?
- Onde?
- Mãe!
- Ah, vê com o seu pai.

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Os dois estão jogando vídeo game.
- O que você quer ser quando crescer?
- Oi? – dando atenção só para o vídeo game.
- Quando ficar adulto...
- Olha o gol, olha o gol... Uh!
- O que vai querer ser?
- Sei lá cara, presta atenção no jogo...
- Ei você tem que começar a pensar...
- Porque? A gente só tem dez anos.
- Então, dez anos cara! Daqui para os vinte é um pulo.
- Cara a gente ainda é criança...
- Criança!? Fale por você eu já sou quase um pré-adolescente!
- Nada a ver... Relaxa... Olha o gol, olha o gol... Uh!
- Nada a ver? Tudo a ver, hoje você ta com dez, mas ontem mesmo você tinha nove.
- É pra isso que servem os aniversários, pra nos deixar mais velhos...
- Então é como dizem, depois dos dez, os anos, passam voando!
- Como dizem? Quem ‘dizem’?
- Todo mundo?
- Que todo mundo?
- Todo mundo que tem doze anos!
- Esse povo com doze se acha... ‘O juiz, o juiz’...
- É, mas pelo menos eles já sabem o que vão ser!
- O que você quer ser? Senhor quase pré-adolescente!
- Eu?
- Não eu!
- Eu quero ser astronauta...
- Pfff...
- Pfff... O que? Ta com inveja porque eu sou um homem decidido.
- Homem decidido? Você ainda mama...
- Cara não é mamadeira, é um negócio que eu tenho que tomar pra ajudar no meu crescimento.
- É... E o nome é: Mamadeira!
- Não é mamadeira...
- “Eu tenho dez anos e vou ser um astronauta que toma mamadeira”. – provocando daquele jeito que só as crianças sabem provocar.
- Não é mamadeira cara... Olha lá o gol! GOOOOL!
- Não valeu...
- Porque não valeu?
- Eu não tava olhando.
- Não posso fazer nada...
- Você roubou!
- Não roubei não!
- Roubou sim. Você aproveitou que eu não tava olhando.
- Você não tava olhando porque tava me zoando.
- Tava te zoando porque começou com esse papo de crescer sendo que você mama. Tem que arrumar uma namorada que divida a mamadeira!
- Para de dizer que eu mamo cara. Seu orelhudo.
- “Para de dizer que eu mamo...” Mi-Mi-Mi...
- Cara se você continuar fazendo isso vou desligar o vídeo game...
- Se você continuar fazendo isso eu vou desligar o vídeo game...
- Para...
- Para...
- Ah então você quer. – desliga o vídeo game.
- Poh bem na hora que eu ia fazer o gol...
- Eu avisei...
- “Eu avisei”...
- Mãe! – grita pela mãe.
- “Mãe!”
- O que foi caramba? – vem um grito da cozinha.
- Ih apelou pra mamãe eu vou embora. Você ta se achando muito, fica andando com esses caras de doze anos...
- É pelo menos eles se comportam como homens...
- É pelo menos eles não mamam... – sai bravo.
- Já falei que não é mamadeira! – grita para o amigo que já nem escuta mais.
- Sua mamadeira ta pronta filho. – diz a mãe que acaba de entrar na sala. – cadê o Miltinho?
- Foi embora, ele é muito criança. – pega a mamadeira. – ta quente?

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- Carlos cadê o Edu?
- Não sei não ta no quarto dele?
- Se ele tivesse no quarto dele eu não ia ta perguntando onde ele está.
- É!
Silencio
- Qual foi a ultima vez que você viu ele?
- Quando ele veio pedir pra ir dormir na casa do Pedro.
- E o que você disse?
- Pra ele pedir pra você. Por quê?
- Porque quando ele me pediu eu falei pra ele pedir pra você!
- Será que ele...
- Descobriu nossa estratégia de ficar jogando um pra cima do outro e ninguém responder?
- Não pode... Fazemos isso com todos eles e nunca descobriram...
- Espera aí vou ligar pra casa do Pedro. – pega o telefone. – Alou... é da casa do Pedro, oi Gilmara o Edu ta aí?... Ah ta... Deixa eu falar com ele... Ta obrigado.
- E aí?
- Foi chamar ele. – tira a boca do telefone pra responder o marido. – Alou... Edu o que você está fazendo aí?... O que foi dormir... Como assim dormir?... Deitar e fechar os olhos. Eu sei como que dorme não fala assim que eu vou aí... Seu pai deixou... – O pai faz que não com a cabeça. – Seu pai ta dizendo que não... Ah ele falou que era pra você falar comigo, mas eu não deixei... Como não falei não?... Falei que era pra você falar com ele... Ele disse que não disse que sim... Ah mas também não disse que não... Ta bom, fica aí amanhã quando você chegar a gente conversa... Ta beijo, boa noite... Ta, ta... E sem fazer bagunça aí na casa dos outros... Eu sei que não é a casa dos outros é a casa do Pedro... Tchau... Tchau... – desliga o telefone.
- Descobriu?
- Pelo jeito sim!
- E agora?
- Temos que inventar outro jeito de não dizer não e nem sim sem ser pego.

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Dois amigos que não se viam a muito tempo se encontram.
- E aí meu querido, quanto tempo como você está?
- Nossa quanto tempo mesmo, to bem, não tão quanto você, mas bem!
- O que conta de novo?
- De novo só que eu virei pai, chegou a me ver pai?
- Não a ultima vez que eu te vi ainda era mãe...
Os dois caem na gargalhada.
- Pois eu também virei pai!
- É mesmo parabéns!
- Com quantos anos está o seu ou a sua...
- É ele, ta com cinco...
- A idade do meu.
- Sério?
- Sério!
- Eles crescem rápido hein...
- Nem me fale, o meu já ta indo para a escola, para o pré. Ele é avançado.
- O meu ta indo desde o ano passado, esse ano já foi pra primeira.
- A professora queria colocar o meu na primeira também, mas eu não quis constranger os outros alunos.
- Sei como é.
- Já não basta fazer os mais velhos passarem vergonha na escolinha de futebol.
- Ah ele já ta treinando também?
- Já, já, desde os três anos... Já tão de olho nele...
- O do meu já compraram o passe. Ele também treina, desde os dois anos, os primeiros passos dele foi em direção a uma bola.
- Interessante. O meu bate com as duas.
- Legal... Legal... O meu bate só com a direita mais nunca erra. Cinco anos e já o batedor de falta oficial do time. Lembra muito eu...
- Mas você não batia falta!
- Não batia porque você não deixava, queria bater todas...
- O professor que mandava.
- Porque você era puxa-saco...
- E você era ruim.
- Ah falou o bonzão. Atrasadinho. Demorou muito pra terminar a faculdade? Atrasadinho!
- Ei eu tinha dificuldades porque eu acordava muito cedo. E pelo menos eu não colava pra passar. E aí como é colocar na vida real? Existe!
- Eu só colei uma vez!
- Aham, colou até no exame do pezinho...
- É eu colei e você reprovou!
Toca um celular.
- Alo... – atende o celular. – não, não to gritando... Ta desculpa por ter gritado... Já to indo, não o padeiro não morreu, já to indo... – desliga o celular.
- Ih sendo mandado pela mulher, era o mínimo que eu poderia esperar.
Chega uma senhora.
- Vai demorar muito com esse pão aí seu imprestável. – grita a senhora.
- Não, não... Já tava indo, só tava conversando com um amigo dos tempos de escola.
- Não quero saber quem é! Se eu quisesse saber tinha perguntado. E anda logo. – sai batendo o pé a “velha”.
- É minha mulher pode ser mandona, mas pelo menos ta inteira. Não sabia que você gostava de tão velha assim.
- Não essa daí não é minha mulher, Deus me livre. Essa é minha sogra.
- Desculpa por ter te tratado mal...
- Ué porque ta pedindo desculpa agora?
- Porque eu vi que você está numa situação bem pior que a minha, está fazendo compras com a sogra. Eu não preciso mais competir, você acaba de perder por W.O da vida! – Sai dando risada.
- Vai ficar se enrolando aí. – grita a velha.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Hum... Aí, aí.

Logo depois do almoço.
- Ei... Oh... – cutucou o amigo.
- Que foi?
- Acorda!
- O que já ta na hora de voltar?
- Não, temos mais treze minutos!
- Ah então me deixa aproveitar...
SILENCIO
- Você acredita em vida após a morte?
- Hum?
- Vida após a morte! Morre e vai pra outro lugar.
- Que outro lugar?
- Sei lá, outro lugar que não seja esse...
- Do que você ta falando cara? Essas horas...
- Cara esse é um assunto sério, é um assunto que todos deveriam discutir!
- Mas logo depois do almoço?
- Eu pensei em perguntar durante o almoço, mas não queria estragar a sua fome.
- Meu sono tudo bem estragar?
- Foi mal...
SILENCIO
- E vida após o almoço você acha que existe?

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- Eu queria fazer um brinde!
- Querido para com isso... – disse puxando-o pelo terno.
- Para por quê? Deixa eu fazer meu brinde.
- Porque isso é um velório!

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Os dois estão deitados lado a lado na cama depois da “ação”
- Hum... – Ela dá um longo suspiro. – aí, aí!
- O que foi?
- O que foi o que?
- Você fez: “hum”, seguido de um suspiro e um aí, aí...
- E?
- E esse é o sinal universal de quem quer falar alguma coisa!
- Da onde você tirou isso!
- Foi comprovado cientificamente.
- Rá-Rá! Engraçadão.
- To falando sério. Fizeram teste em ratos de laboratório.
- Ratos?
- É toda vez que a rata chegava perto do macho ela soltava um hum, seguido de um suspiro e um aí, aí. Eles entendiam que ela queria falar alguma coisa!
- Nossa que nada a ver.
- Fala isso para os cientistas.
- Eu não to querendo falar nada!
- Tem certeza?
- Tenho! Se eu quisesse falar alguma coisa, já teria falado!
SILENCIO
- Hum... – mais um longo suspiro. – aí, aí!
- A-RÁ! Sabia.
- Sabia o que?
- Que você queria falar alguma coisa.
- Eu não quero falar nada.
- Tem certeza?
- Tenho.
- Então porque to com a impressão que você quer falar algo.
- É só impressão.
- É deve ser só impressão.
Silencio, ele começa a cochilar, ela cutuca ele.
- O que você está fazendo?
- Cochilando.
- Não é pra cochilar!
- Por quê?
- Porque eu quero conversar.
- Ué, mas você não falou que não tinha nada pra falar.
- Eu realmente não tinha, só que você ficou insistindo tanto que eu arrumei algo, agora pode fazer o favor de se manter acorda!
- Hum... – suspiro. – aí, aí!

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- Eu queria fazer um brinde também.
- Querido. – Puxa-o pela camisa.
- Que foi dessa vez?
- Senta.
- Porque? O senhor ali acabou de levantar a taça e fazer um brinde.
- Aquele é o padre...
- Ah...

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No consultório.
- Pode sentar-se fique a vontade. – diz o médico.
- Obrigado, to meio nervoso nunca fiz isso.
- Relaxe, fale-me um pouco sobre você.
- Tem certeza que quer que eu fale sobre a minha pessoa? Não sei se interessa.
- Interessa sim, você é muito importante.
- Não sou não...
- Conta a sua história que eu vou provar isso pra você!
- Olha acho que essa é uma aposta que o senhor vai perder, eu conheço a minha história, já estive nela e posso confirmar não é nem um pouco interessante.
- Mesmo assim conte!
- Posso contar de outra pessoa? Tem um amigo meu que tem uma história sensacional.
- Não quero falar sobre ele, queremos que você se abra.
- Não vale a pena. Vamos pegar uma história boa!
- Não quero uma boa, quero a sua!
- Ih pelo jeito o senhor já conhece. Só pelo jeito que falou...
- Não conheço... É modo de falar.
- Mesmo assim acertou o chute.
- Mas não foi um... Esquece. Vamos do começo, porque você veio aqui?
- Tem certeza que quer falar de mim?
- Sim.
- Mais eu paguei, posso falar sobre quem eu quiser. Vamos aproveitar melhor esse dinheiro, não desperdiçar falando de mim.
- O senhor tem complexo de inferioridade.
- Que isso, eu não mereço tanto!

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- Se alguém tiver alguma coisa contra esse casamento que fale agora ou cale-se para sempre!
- Eu...
Todos olham para trás.
- Querido...
- Eu queria fazer um brinde!

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Avesso



- E aí o que achou?
- O que achou do que?
- Você não notou nada de diferente?
- Carlos eu to tentando assistir TV
- Para de olhar só um pouquinho pra TV e olha pra mim mulher! – Disse o homem batendo o pé.
- Poh mais do que você ta falando Carlos? To tentando ver minha novela! – Esbravejou a mulher tentando ver a TV.
- Do meu novo corte... Você não presta atenção em nada mesmo né!
- Mas não mudou nada...
- Como não?
- Não mudou ué! Do jeito que você saiu de casa, você voltou. Quer dizer, tudo menos 40 reais no bolso.
- Eu mudei sim, e não é 40 é 60 reais.
- O que? 60 reais pra não fazerem nada? Desse pra mim que eu fazia! No caso, não fazia!
- Ah vai ficar jogando na minha cara agora? E como assim não fez nada? Ele fez o pezinho!
- Por 60 reais eu fazia o pezinho, a mãozinha, o braçinho...
- Rá, rá, rá... Engraçadona. Tira sarro mesmo, você vai querer “sentir” o meu pezinho a noite! – Disse e saiu.
- Para Carlos! Eu tava só brincando... Volta aqui... Homem é tudo sensível mesmo. – Disse ela voltando a assistir a novela.

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NO BAR
- Iai Gorda como você está? – Cumprimentou a amiga apertando a bunda.
- Não tão acabada como você mais levando. – Retrucou a amiga devolvendo também o apertão.
- Cadê o maridão?
- Hum ta em casa vendo a novela, aquele lá não perde um capitulo.
- Ih menina o meu também não. Acredita que a gente foi no motel esses dias e ele só começou o “trabalho” depois que acabou a novela.
- Caramba sério!
- To falando.
- É pelo menos, fica uma hora inteira sem falar.
- Pelo menos isso. Me vê duas cervejas. – Pediu para o garçom.
- Três. - Disse uma terceira que acabara de chegar.
- O Safada! Como você ta? Sua sem vergonha!
- Não como você, mas gostaria!
- Pena que eu não posso dizer o mesmo. Ainda mais com essas banhinhas sua, fica difícil hein!
- Quando você casou seu marido pediu com borda de catupiry? Porque você está com uma em volta da cintura!
- Querida isso aqui não é borda de catupiry, é borda de cream-cheese, eu sou chique meu bem!
E caíram na gargalhada as três.
- E aí cadê o encosto?
- Deve estar em casa, eu disse que tinha reunião e que teria que chegar mais tarde!
- E ele acreditou?
- O meu já fica com um pé atrás quando digo isso...
- Ele acreditou daquele jeito né. Ah, mas depois eu levo uma caixinha de cerveja e está tudo certo.
- Cerveja sempre funciona.
- Sempre. – Concordou.
Toca o celular de uma das três.
- Ih olha a policia.
- Agora o bicho vai pegar...
- Xiu, xiu, é o meu marido!
Atendeu a terceira.
- Oi amor! Tudo bem? Tudo, tudo... Então não sei, acabou de começar aqui... O que é essa musica? É o celular da verônica que ta tocando... É a versão ao vivo... Ta não pretendo demorar não... Não, não precisa esperar acordado não... Ta tchau... Beijo... Também te amo Pedro... Também, eu preciso desligar agora... Boa noite! – Disse e desligou o celular. – Ufa, foi por pouco.
- Também te amo? Ah larga a mão mulher...
- O que? Tem que dar uma moral, e outra falo isso agora pra não complicar depois! Desse mais uma rodada! Agora por minha conta.
- Ta com o cartão do maridão é!?
- O que você acha?
- Opa, então vou ligar para o meu e falar que também não precisa esperar acordado que a noite vai ser longa!

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- Boa noite.
- Boa noite amor!
- Porque essas velas aqui na mesa de jantar Jairo?
- Espera aí, eu não acredito que você esqueceu!
- Esqueceu o que?
- Você esqueceu Maria Fernanda...
- Eu não esqueci. Rá pegadinha!
- Esqueceu sim!
- Não esqueci não... Para de ficar falando que eu esqueci, porque se não eu vou esquecer!
- Como você pode?
- Jairo eu já falei que eu não esqueci. Eu comprei até um presente.
- Então cadê?
- Eu deixei na empresa.
- Você não comprou nada!
- Comprei sim!
- O que é então?
- O que é o que?
- O presente!
- É uma camisa do seu time!
- Você nem sabe para o time que eu torço Maria Fernanda.
- Claro que eu sei! E para de me chamar de Maria Fernanda, da a impressão que você está bravo.
- Não sabe não, e eu estou bravo!
- Ta estressado sem necessidade.
- Como sem necessidade? Sem necessidade? Você esqueceu que dia que é hoje e ainda tem a capacidade de dizer que eu estou bravo sem necessidade.
- Mas eu não esqueci cacete!
- Ah vai começar a me tratar mal agora? Você faz a cagada e eu vou levar a culpa.
- Não, desculpa amor, desculpa, não devia ter falado assim.
- Ah eu já devia imaginar Maria Fernanda. Não sei por que crio falsas expectativas com você ainda.
- Desculpa Jairo.
- Desculpo, claro que eu desculpo, aliás eu sempre desculpo e acho que é por isso que você sempre volta a errar, porque sabe que o trouxa aqui vai te desculpar! – Fala e vai saindo de cena, Maria Fernanda vai atrás. – Nem precisa vir pro quarto, pode deixar que eu levo suas coisas, hoje a senhora vai dormir na sala. Boa noite!

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No meio da noite, a mulher começa a passar a mão no marido.
- O que foi? O que foi... – Resmungou ainda meio dormindo.
- Nada... – Disse e continua a passar a mão nele.
- O que você está fazendo Carla?
- Sei lá tava tendo um sonho e fiquei com vontade de...
- Nem comece. – Interrompendo-a. – São quatro horas da manhã, e daqui a pouco eu já tenho que levantar.
- Que isso, vamos nos divertir um pouco.
- Não.
- Ah para Sergio, é rapidinho...
- Já disse que não...
- Eu estou só de calcinha e sutiã. - Cochichou no ouvido dele. - Vamos dar uma rapidinha.
- Pior ainda, você acha que vou perder meu sono por causa de uma rapidinha? Nem pensar. – Vira para o lado e da o assunto como encerrado. – Ah e Coloca o pijama porque eu não quero ninguém tossindo amanhã cedo! Boa noite Carla.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A conta e um café!

- Garçom traz a conta e um café...
- Dois...
- Dois!
- Desculpe mais não temos café. – Disse o garçom educadamente.
- Como assim não tem? – Disse o cliente, não tão educadamente.
- Desculpe, mas não temos senhor.
- Então eu não vou pagar a conta!
- Oi?
- Não posso aceitar uma conta sem um café.
- Nem eu...
- Mas senhor não temos o café, contudo o senhor almoçou.
- Almocei porque achei que na hora que fosse pagar a conta teria um café.
- É que não servimos café aqui.
- Chama seu gerente pra mim...
- Senhor...
- O gerente, por favor. – Interronpendo.
- O que está acontecendo? – Perguntou o gerente educadamente, que passava exatamente quando foi requisitado.
- É que eu queria minha conta...
- Já vou tirar para o senhor. – Interrompendo
- E um café...
- Dois!
- Senhor, o café eu vou ficar devendo.
- Então eu vou ser obrigado a ficar devendo o almoço também.
- Mas senhor não servimos café.
- Desculpe, mas o meu cartão não passa sem café. – Disse e levantou da mesa.
- Nem o meu! – Também levantando.
- Calma, calma, vamos dar um jeito nisso. Pedro. – Chamou o garçom. – Vá até a padaria e traga um café para o senhor aqui.
- Dois!

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- Me vê um cafezinho médio, rapidinho, porque eu to com um pouquinho de pressa!
- Cafezinho ou pingado?
- Um carioquinha.
- Carioquinha ou cafezinho...
- Cafezinho carioquinha.
- Pingado?
- Não, carioquinha.
- Carioquinha não é a mesma coisa que o pingado?
- Não sei, é?
- É!
- Então pode ser...
- Qual pingado ou carioquinha?
- Não é a mesma coisa?
- Não, se fosse não teriam nomes diferentes.
- Ué, mas você acabou de falar que eram a mesma coisa!
- Mas não são...
- Qual é a diferença?
- Um é café com leite, e o outro é leite com o café!
- Qual que é qual?
- O café com leite é o pingado, e o leite com café é o carioquinha.
- Não da na mesma? Café com leite, e leite com café...
- Não, não. Um da o pingado e o outro da o carioquinha.
- Ta me vê qualquer um dos dois. Só agiliza porque eu tenho compromisso... Só não muito preto...
- Espera aí eu não vou admitir esse tipo de coisa aqui!
- O que?
- Esse tipo de preconceito no meu estabelecimento...
- Preconceito?
- Não manda muito preto, como assim muito preto... Respeito!
- Ãhm? Eu tava falando do café!
- Eu também!
- Quer saber me vê um copo de leite!
- Normal, desnatado ou semi-desnatado?

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- Ei que tal qualquer hora a gente tomar um café?
- Eu não gosto de café!
- Nem eu.
- Ué então porque está me convidando pra tomar um café?
- É modo de falar...
- Como assim modo de falar?
- Modo de falar, ‘vamos marcar alguma’, ‘marcamos um café’, essas coisas sabe?
- Ah...
- Então quando vamos tomar esse cafezinho?
- Já falei que eu não gosto de café, que fixação...
- A é desculpa. Então quando vamos marcar uma cervejinha?
- Não bebo cerveja.
- Não, você não entendeu ainda. Não quero dizer tomar cerveja mesmo. É só mais um modo de falar. ‘Sair tomar uma’, ‘brindar e conversar’, etc. É uma forma de convite figurativa.
- Ah... Agora entendi.
SILENCIO
- Quando vamos sair comer um negócio juntos?
- To de regime!
- É pelo jeito você não entende de modo de falar mesmo. Esse é mais um modo de te convidar pra sair, é um convite discreto...
- Quem não ta entendendo aqui parece que é você.
- Eu, como não?
- Não ta entendendo, que essas desculpas são um modo discreto de falar NÃO! – Pegou a bolsa e saiu. – Até parece que eu não gosto de café.

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- Sabe o que dizem sobre quem chocha o pão no café com leite né!
- Não... O que dizem?
- Que é meio coisadinho.
- Coisadinho? O que é coisadinho?
- Coisadinho... ‘Molha o pão no café com leite’, ‘afoga no chocolate quente’, ‘da ré no cappucino’...
- Nada a ver...
- Então ta né, se ta falando. – Disse e voltou a comer.
- Alcança o adoçante pra mim...
- Hum... Adoçante.
- O que?
- Chocha o pão. Toma café com adoçante. Só falta dizer que gosta de ovo com a gema mole.
- Seu ovo frito, com a gema mole, senhor. – Disse o garçom respondendo a pergunta como se estivesse escondido só esperando a perguntar vir a tona.
- Não acredito!
- O que? Qual o problema.
- Chocha o pão beleza. Pão com manteiga e ervas finas, já é meio forçado... Agora ovo com a gema mole... Aí já não tem mais como te defender.
- Não acredito que você ta insinuando que... Não acredito.
- Eu não to insinuando nada, seu ovo com a gema mole, ervas finas e pão chochado é que está! Fecha pra mim aqui. – Disse e saiu.

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- Parei de fumar...
- Poh parou mesmo, parabéns...
- Quer dizer to parando...
- Ah... Já é um começo.
- Pois é.
- Pelo menos ta se esforçando...
- É difícil parar de uma hora pra outra...
- É né.
- É.
SILÊNCIO
- E usando qual sistema pra parar? Adesivo, filtro...
- Agora só fumo quando tomo café. – Interrompendo-o
- Ah café e cigarro é a combinação né!?
- Pois é, um chama o outro.
- Eu gosto muito de café.
- Eu não gostava tanto, mas agora com esse negócio de só fumar quando tomo café me fez gostar mais...
- Aé?
- Se é, to tomando café toda hora! Aliás vou lá tomar um golinho. – Sacou a carteira de cigarro e saiu.

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- E a tia do café hein...
- O que é que tem ela?
- Não ficou sabendo o que aconteceu?
- Não. O que aconteceu?
- Foi mandada embora!
- Não acredito, quando?
- Ontem!
- Hum isso explica o porque o café tava com gosto de ‘café de ontem’.
- É.
- Mas porque ela foi mandada embora? O café dela era tão bom!
- Por isso...
- Isso o que?
- Foi mandada embora porque o café dela era bom!
- Ãhm?
- É... Como o café dela era muito bom, ninguém se concentrava, toda hora ficavam levantando pra ir pegar café.
- Loucura. E agora?
- Agora estamos pensando em fazer uma greve...
- Greve?
- É! Enquanto não contratarem ela de novo ninguém trabalha.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Uma informação


- Amor não quer pedir informação?
- Não preciso eu sei onde eu to. Só peguei um caminho mais longo pra passarmos mais tempo juntos amorzinho...
- Se queria isso não precisava se perder.
- Patrícia eu não to perdido.
- Como não? Nem o GPS sabe onde estamos.
- Eu falei pra você que esse GPS tava com problema.
- Ele não tava até você dar um murro nele.
- Dei um murro pra ele se espertar!
- É mais você matou ele.
- Patrícia é só um GPS.
- Era... só um GPS!
Silencio dentro do carro.
- Vai ficar emburrada porque eu quebrei o GPS?
Silencio.
- Desculpa amor, mais já tava cansado de ouvir ela me dando ordens, dizendo o que fazer ou deixar de fazer. Vire aqui, entre ali, coloque o cinto. Já tava me segurando a algum tempo!
- Para o carro que eu quero descer!
- Oi?
- Para o carro agora...
- O que você ta falando amor?
- Para o carro se não eu vou começar a fazer um escândalo.
- Porque isso agora? – Parando o carro.
- Porque se com a coitada que só queria te ajudar você deu soco dizendo que ela queria mandar em você imagina o que não vai fazer comigo. – Disse e foi embora.

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- Opa amigão!
- Oi!
- Então é que eu to meio perdido.
- Sei.
- Como assim você sabe?
- Ué porque você acabou de falar.
- Ah!
SILENCIO
- Como eu tava falando. – retomando o assunto. – Eu to perdido. Sabe me informar onde fica a Rua Indonésia.
- Poh a Rua Indonésia.
- É!
- Acho que não tem nenhuma Rua Indonésia por aqui.
- Como não, me disseram que era por aqui...
- Não sei, se fosse por aqui eu com certeza conheceria. Quem falou que era por aqui?
- O ultimo cara que eu pedi informação lá atrás!
- Como era esse cara?
- Como assim, como ele era? Isso importa?
- Você quer saber onde fica a Rua Indonésia ou não?
- Sim!
- Então como ele era?
- Era um senhor, mais ou menos da tua idade, e parecia boa gente!
- Então ele era novo, e parecia boa gente.
- Não disse que ele era novo, disse que tinha mais ou menos a sua idade.
- Que seja. Ele te explicou como chegava a tal rua que você ta procurando?
- Rua Indonésia. E sim explicou. Disse que era só ir reto toda vida!
- E você acreditou?
- Ué porque não acreditaria, acabei de falar que ele parecia boa pessoa.
- É isso que ele quer que outros pensem.
- Do que você está falan... Quer saber, deixe. Muito obrigado pela ajuda. – Já dando a partida pra sair.
- Peraí pra onde você vai se não sabe onde é a Rua Indonésia? Não quer saber onde é?
- Você não disse que não é por aqui?
- E não é!
- Então?
- Então que eu posso estar enganado.
- Como assim pode estar enganado?
- Posso estar enganado por que eu não sou da região!
- Você não é daqui?
- Não!
- Porque não me falou desde o começo?
- Sei lá achei que poderia ajudar!
- Como achou que poderia ajudar, nem conhece aqui.
- Claro que conheço!
- Não disse que não era da região.
- E não sou, mais já estou perdido aqui a tanto tempo que conheço algumas ruas!

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- Aí amor não precisava. – abrindo o presente. – Nem é nada hoje, nenhuma data festiva. Você andou aprontando alguma Adalberto?
- Não!
- Adalberto?
- Poh que desconfiança...
- Nunca se sabe. – disse já rasgando o papel de presente sem a calma que normalmente tinha. – Espera aí o que é isso?
- Um GPS.
- O que você ta querendo dizer com isso Adalberto?
- Nada!
- Como assim nada Adalberto, você me da um GPS de presente de não sei o que, e ainda vem dizer nada?
- Nossa só queria te agradar Luiza!
SILENCIO
- Você tava querendo dizer que eu sou perdida Adalberto?
- Não tem nada a ver amor...
- Diz aí, eu não vou ficar brava...
- Não...
- Fala...
- Ta bom foi por isso!
- Ahá! – gritou fazendo-o pular da cadeira. – Então realmente você estava me dando uma indireta!
- Não foi bem uma indireta...
- Foi uma direta mesmo né.
- Só acho que vai te ajudar.
- Quer dizer que agora então você acha que é uma doença, ser meio perdida é uma doença é isso?
- Não foi isso que eu quis dizer...
- Agora porque eu me perdi umas 5, 9 vezes, eu tenho que ser julgada.
- Eu não to te julgando, e foram muito mais de 9!
- Tudo bem eu me perdi algumas vezes, mais não quer dizer que eu precise de um troço deste... Eu só faço confusão quando são ruas muito parecidas.
- Então é nessa hora que ele vai te ajudar.
- Ainda por cima é um homem narrando? Eu não acredito. Não ACREDITO!
- O que?
- Pega esse negócio e suma da minha frente. E cuidado pra não se perder!
- Pode deixar que eu não vou me perder, além de não ser você que vai estar dirigindo, vou estar com um GPS!

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- Prepare-se para virar a esquerda em 100 metros. – disse uma voz toda sedutora saindo de um GPS.
- Ué resolveu conversar agora então.
- Prepare-se para virar a esquerda a 50 metros.
- Só fala pra dar ordem né!
- Vire a esquerda!
- Quer saber, cansei disso, não vou virar.
- Recalculando a rota!
- Quem disse que eu quero ir pro mesmo lugar.
- Rota recalculada, vire a direito no retorno a 500 metros.
- Eu não vou virar, cansei de ir onde você manda.
- Prepare-se para virar esquerda a 400 metros...
- Chegou a hora de você começar a me respeitar e aceitar minhas decisões.
- Prepare-se para virar esquerda a 300 metros...
- Não vou me preparar, até porque eu não vou virar. Chega. Eu sei pra onde eu vou, não preciso de você, só fala quando quer...
- Prepare-se para virar esquerda a 200 metros...
- Não adianta fazer essa voz, não vou virar...
- Prepare-se para virar esquerda a 100 metros...
- Sinto muito, mais espero que respeite a minha decisão.
- Prepare-se para virar esquerda a 50 metros...
- Não vou virar.
- Vire a esquerda!
SILENCIO
- De volta a rota de inicio. Siga reto e prepare-se para virar a direita a 800 metros!
- Eu só virei pra evitar discussão, não quero isso. Sei que as vezes parece que eu só estou te usando, mas é que quando escuto sua voz nos outros carros fico com ciúmes. Você me perdoa?
- Prepare-se para virar a direita a 500 metros!
- Uí vai me ignorar então, eu só te ameacei brincando, era brincadeira...

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Homem parado no meio da estrada pedindo carona, de repente alguém para.
- Opa valeu por ter parado amigão.
- Nada.
- Será que rola uma carona?
- Sim sim, entra aí!
- Mas pra onde você ta indo.
- Pra lá!
- Putz, eu to indo pra lá.
- Hum que pena!
- Será que não rola você ir pra lá?
- Oi?
- Não tem como me deixar lá?
- Mas eu acabei de vir de lá!
- Você não esqueceu nada lá? Carteira, alguma coisa pra entregar.
- Não!
- Tem certeza? Tenta puxar pela memória!
- Já falei que não, eu preciso ir, vai comigo?
- Você vai voltar?
- Não vou seguir...
- Então será que se eu não colocasse o dinheiro da gasolina não rolava você me levar lá?
- Oi?
- Se eu colocasse combustível você não dava uma carona pro outro lado?
- Você ta me achando com cara de táxi?
- Pera aí eu disse que ia colocar gasolina não que ia pagar a viagem, se fosse assim teria ido de ônibus.
- Você é muito desaforado, parei aqui na maior humildade pra ver se não estava precisando de uma carona...
- Mas eu to precisando!
- Então entra aí e vamos de uma vez! – já ligando o carro.
- Beleza obrigado. – disse já dentro do carro – muito legal da sua parte voltar tudo isso só pra me deixar lá!
- Mais eu não vou voltar! – desligando o carro.
- Não falou que ia me dar a carona.
- Desce do meu carro.
- Qual é o problema de voltar 15 Km?
- Sai do meu carro, seu lunático!
- Poh eu coloco a gasoli... – foi interrompido pelo som do pneu cantando, deixando-o comendo poeira.
- Nossa que mal educado. Isso que eu nem reclamei de estar entrando num carro velho. Falta de consideração!