terça-feira, 8 de outubro de 2013

FILME DE TERROR

O casal está sentado no sofá, pensando na programação do sabado.
- E se a gente alugasse um filminho.
- Oi?
- Se fossemos na locadora e alugássemos uns filmes.
- Nossa, eu entrei sem querer numa maquina do tempo e fui transportado para 1990?
- Rá-Rá... Você entendeu.
- Ta, vamos assistir algo. Tem uma comédia ótima que uns amigos indicaram.
- Não, comédia não, vamos assistir um de terror.
- Porra, terror de novo não.
- Ué, ta com medinho?
- Não, não estou com medo, só acho que filme de terror não tem conteúdo nenhum, não tem roteiro bom e não tem uma mensagem.
Silencio, ela fica olhando para ele.
- Ok, estou com medo.
- Ai que bonitinho, não precisa ficar com medo, eu vou estar com você...
- pois é, mas você não faz nada, eu não entendo nada do filme e ainda por cima fica mandando eu assistir.
- Lógico que você não entende, fica com os olhos fechados.
- Fico porque não quero ver.
- Então porquê assiste, se é pra fechar os olhos nas melhores partes.
- Porque você me obriga.
- Não obrigo, só acho que como sendo meu namorado você tem que assistir os filmes comigo.
- Ok,você quer ver um filme de terror, vamos... mas não venha me pedir pra ir pegar água ou qualquer outra coisa que eu tenha que abrir os olhos no escuro que eu não vou.
- Ta bom.
- E vamos assistir um que tenha um final feliz.


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Apaga a luz
- Roberto apaga a luz lá.
- Apaga você.
- Roberto.
- Você deitou por ultima Ana.
- E o que é que tem?
- Quem deita por ultimo apaga.
- Onde você viu isso.
- É a regra universal dos casais, quem deita na cama por ultimo apaga a luz.
- Onde você viu essa regra, no manual dos casais?
- Não, ta na biblia.
- Na biblia?!
- Sim, na parte que fala: então Deus fez a luz, e disse: o ultimo a deitar apaga a luz.
- Nunca vi isso na biblia.
- Você já leu a biblia?
- Não.
- Então.
Silencio.
- Não, a regra é: o homem apaga a luz.
- E pega a agua?
- Isso,eu tava esquecendo aproveita que vai apagar a luz, vai até a cozinha e pega um copo d'agua.
- Não vou na cozinha, pior ainda, ai vou ter que voltar tudo aquilo no escuro.
- A então estamos tendo toda essa discussão, porque você está com medo do escuro?
- Não, não estou.
- Então apaga a luz lá.
- Não, você não vai me pegar dessa vez
- Ta com medo.
Silencio.
- Que feio, um homem da sua idade, casado, com filhos.
- Mas nós não temos filhos.
- Mas vamos ter. E ai como você vai reagir quando ele estiver com medo do escuro, chamando pelo pai.
- Você acende a luz e eu vou.
- Que feio.
Silencio.
- Ok Ana, eu vou apagar, vou, mas saiba de uma coisa, eu nunca mais vou assistir filme de terror com você, nunca mais.

- Ta, mas não esquece a agua.

sábado, 7 de setembro de 2013

Independência ou Morte?

E então, as margens do rio Ipiranga, em frente aos milhares de manifestantes, Dom Pedro gritou:
- Independência ou morte.
- Morte.
- Oi?
- você pediu para eu escolher, eu escolhi. Morte.
- Pera aí, mas foi uma pergunta retorica, não era pra responder. Alias nem foi uma pergunta.
- Olha, pra mim pareceu uma pergunta: independência ou morte?
- Não, foi uma afirmação.
- Pior ainda, você está afirmando que é uma ou outra.
- Ta, mas eu falei meio aleatório aqui. Calor do momento, varias pessoas em volta. Nem pensei.
- Mas agora já falou.
- Ta bom, falei, falei. Eu admito. Mas da pra voltar atrás?
- da até dá. Mas vai ter que rolar um fortalece.
- Oi?
- Um cafezinho, aquela ajuda de custo.
- O senhor ta pedindo para eu pagar propina.
- Não, eu não. você que pediu outra opção. Eu estou dando. Se não quiser, podemos ficar com a morte.
- Não. Não. Não precisa.
- Ok.
- Quanto você estava pensando que sairia esse café ai?
- Não sei, ai vai de você. Eu não estou pedindo nada, você que vai me dar.
- Tenho 50 conto.
- Oi?
- 100?
- O senhor está de brincadeira comigo.
- Ta, desculpa, to brincando, escreve aqui quanto você quer.
Entrega uma pena e um pedaço de papel.
- 2 milhões. 2 milhões de libras? Ai você me quebra. Puta cafezinho caro.
- Pois é, no Brasil ta tudo caro.
- Não da pra negociar.
- Se o senhor acha que da pra negociar a independência.
- Ok, ok, vamos fechar nisso antes que você aumente. Só um pouco vou falar com uns amigos ingleses meu.
E assim o Brasil conseguiu a sua independência.

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- Dom Pedro onde o senhor pensa que vai?
- Declarar a independência do Brasil.
- Com quem?
- Vai uma galera.
- Mas precisa ir todo arrumado assim.
- É que vão tirar fotos.
- Pra que fotos?
- Para colocar nos livros de história.

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- Independência ou morte.
- O que ele disse?
- Acho que foi: Independência ou norte.
- Independência ou norte?
- Mas não faz sentido.
- Pergunta para o cara ai da frente.
Cutuca o homem da frente.
- O que foi que ele disse mesmo?
- Independência ou morte.
- Morte?
- Morte?
- Sim.

- Ih cacete. Vamos embora que isso não vai prestar.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Como termina

Ela olha no fundo dos olhos dele, não diz nada, parece já ter dito tudo.
- Então é isso. Você quer mesmo terminar?
Silencio.
- Não.
- Não?
- Não, você que quer.
- Eu?
- É.
- Eu não. Foi você que disse que não dava mais.
- Sim, eu disse. E não da mesmo. Do jeito que ta não dá.
- Então, é você quem quer terminar. Não eu.
- Não, eu não quero. Mas eu também quero que você não queira.
- Oi?
- Você não faz nada para mudar e não fez nada para me impedir, então quer dizer que você quer.
- Não, eu não quero, não joga a responsabilidade pra mim. Eu não quero, quer dizer eu quero. Cacete. Calma. Eu quero continuar e não quero terminar. Você quer, você veio com isso do nada.
- Não foi do nada, eu estava pensando.
- Você não estava pensando, tava falando. Pensamento a gente não ouve. Pensamento é mudo, silencioso. Você falou: acho melhor a gente terminar.
- Tava pensando alto.
- Falando.
- Ok. Falando, pensando alto, tudo a mesma coisa.
Silencio.
- E então?
Ele fica olhando para ela.
- Você quer terminar ou não?
- Não.
Ele respira aliviado, da um beijo nela, levanta da mesa.
- Eu quero que você faça alguma coisa pra eu não terminar. Reaja.
- Mas você acabou de dizer que não quer terminar.
- E não quero mesmo.
- Então?
- Então faça alguma coisa antes que eu mude de idéia e resolva querer terminar mesmo.
- Mas e se você achar que está querendo terminar, mas na verdade for só mais um surto?
- Ai nós só vamos descobrir quando já tivermos terminado.
- E quando você descobrir nós voltamos?
- Pode ser que sim.
Ele sorri e vai saindo.
- Mas eu posso demorar a descobrir.
Ele grita lá do outro comodo.
- Não tem problema, eu espero.

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Depois de 26 anos morando com os pais, ele vai sair de casa pela primeira vez, para morar com a atual namorada. Os dois, ele e ela, estão juntando os últimos pertences dele na casa nova casa antiga, ela acha uma caixa de papelão com alguns pertences.
- O que é isso?
Ele está entretido com os brinquedos, viajando no passado.
- Isso o quê?
- Essas coisas nessa caixa.
Ele olha rapidamente e volta a viajar.
- Não é nada.
- O que é?
- São coisas de ex namoradas.
- Ex-namoradas?
- É, pertences.
- Nossa, mas tem bastante coisa aqui.
- Pois é.
- Quantas namoradas você teve.
- Amor, não importa, o que importa é que eu tenho você.
- Ta, mas porque você guarda as coisas das ex’s numa caixa, que espécie de fetiche é esse.
- Não foi por querer, iam esquecendo eu ia jogando ai dentro.
- De qual delas era esse blusinha?
- Não lembro.
Ele continua a mexer na caixa de brinquedos, mas agora por medo de olhar para a fera.
- De quem?
- Amor.
- E esses DVD’s?
- Clarisse.
- Livros, brincos, pulseiras, lenços. Caramba quantas namoradas você teve?
- Não eram namoradas, eram passageiras.
- Passageiras... então pelo jeito aqui é o achados e perdidos.
Ele ri para tentar amenizar o clima. Ela fica séria.
- De quem é esse sutiã.
- Eu não me lembro de quem são essas coisas, eu só ia deixando ai, vamos jogar fora.
- De quem é esse sutiã.
Ele se volta lentamente para ela.
- Esse sutiã é seu.
- Meu?
- É, devo ter jogado ai sem querer.
- Não foi sem querer, foi por querer, foi seu inconsciente dizendo que você quer terminar comigo.
- Oi?
- Ok, eu entendi o recado.
Larga a caixa e vai saindo.
- Vou sair da sua vida.
Volta e coloca o sutiã na caixa.
- Ah agora o sutiã está no lugar certo, nos pertences das ex’s.

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Ele chega em casa, ela está com as malas prontas na sala.
- O que é isso amor, vamos viajar?
- Não.
- Então porque essas malas?
Deixa a pasta no sofá e vai dar um beijo na mulher, ela vira o rosto. Ao fundo da pra se ouvir a torcida gritando “OOOOLÉ”.
- Daniel eu vou embora.
- Embora?
- É. Eu vou te deixar.
- Me deixar?
- Sim. Eu te avisei.
- Me avisou?
- Sim.
- Amor, eu falei pra você parar de me pedir as coisas ou falar quando eu estou dormindo, concordo com tudo. To dormindo.
- Não falei quando você estava dormindo, falei quando estava acordado, bem acordado, varias vezes.
- Eu não me lembro.
Ela saca o celular e mostra varias gravações dela dizendo que qualquer hora iria embora.
“Daniel, é melhor você se espertar”. “Daniel, acorda, um dia você vai chegar em casa eu não vou estar mais aqui”. “Daniel, um dia você vai chegar vou estar com as minhas malas prontas”. “Daniel, Daniel...”.
- Mas eu achei que fosse TPM
- TPM de cinco anos?
Ele fica olhando para ela.
Ela pega as malas.
Se encaminha para a porta, sai. Ele só observa.
- Amor, chega.
Chama o elevador.
- Amor.
O elevador chega.
- Desculpa amor.
Ela entra no elevador.
- Amor chega de brincadeira, já conseguiu me assustar.
A porta do elevador fecha.
- Amor?
As horas e nada. Ele ainda está parado na porta.
Abre a porta do elevador. Ele se anima.
- Amor?
São os vizinhos.

Passam-se dias. Semanas. Meses. Anos. E ele ainda está na porta. Triste. Só se vê um esboço de sorriso no rosto dele quando alguém abre a porta do elevador.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Sem Vagas

Na estrada indo viajar. O pai está dirigindo, a mãe de copiloto, dormindo, e o filho atrás, entediado, já que o vídeo game portátil ficou sem bateria. Ele lê todas as placas as quais passa.

- Pai.
- Reinaldo, já está chegando.
- Que bom. Mas eu não ia perguntar isso.
- Ah não?
- Não.
- O que era então?
- Qual é a diferença de hotel e motel.
Por alguns segundos perde o controle e atropela umas tartarugas. Acorda a mulher.
- Já, chegamos, já chegamos?
- Ainda não. – responde o filho lá de trás.
A mulher olha para o marido e volta a dormir.
Silencio.
- E ai pai?
- O quê?
- Qual é a diferença?
- Qual é a diferença entre hotel e motel?
Silencio. Olha pelo retrovisor, o filho está esperando uma resposta.
- A diferença é uma letra. Um se escreve com H e o outro com M.
- Só?
- Só.
Silencio.
- Mas por que o um se escreve com H e o outro com M?
Mais algumas tartarugas.
- Eu to acordada. – a copiloto pula no banco.
Pai e filho olham para a mãe. Ela volta a dormir.
Silencio.
- Já sei.
- O quê?
- Porque um se escreve com H e o outro com M.
O pai pergunta com medo.
- Por quê?
- Por que Motel é pra menina. E hotel é para menino.
O pai respira aliviado.
Silencio.
- Pai!
- Oi?
Silencio.
- Falta muito?

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Passa das duas da manhã. Os dois param no hotel, no meio do nada, praticamente juntos. Ele no carro dele, ela no dela. Ela está indo visitar um amigo, ele está indo ver um cliente. A chuva forte mais a neblina faz com que os dois se encontrem ali lado a lado esperando para ser atendido.
Ele toca a sineta, daquelas antigas, mesmo o hotel não sendo tão antigo, toca pela décima vez, ela olha para ele com ar de reprovação. O recepcionista, que pela cara estava dormindo, vem lentamente.

- No que posso ajudar o casal.
- Não somos um casal.
- É não somos.
- Ok, no que posso ajudar, individualmente?
- Isso daqui é um hotel? – pergunta num tom irônico.
- Sim. – responde sem captar a ironia, ainda está no ritmo do sono.
- O que a gente iria querer as duas e meia da manhã.
- Ah!!!
Entra no sistema.
- Só tenho um quarto.
- Um?
- Um?
- Um. O hotel está lotado.
- Lotado? Esse hotel?
- Sim.
- Quem é que se hospeda no meio do nada.
- Congresso.
- Aqui que congresso?
- Sim, aqui. É secreto. O senhor veio para o congresso?
- Não.
- Então não posso falar.
Silencio.
- Ok, eu vou ficar com o quarto. – Ela fala interrompendo o silencio dos dois.
- Eu cheguei primeiro.
- Não, nós chegamos juntos.
- Ta, mas eu apertei a sineta primeiro.
- Eu teria apertado se você tivesse parado um segundo de apertar.
- Eu ouvi na primeira. – interrompe o recepcionista.
- E por que não veio?
- Achei que fosse um sonho.
Silencio.
- Deixa eu ficar, estou cansada.
- Eu também estou.
- Nossa, onde está o cavalheirismo?
- Eu nem te conheço.
- Desde quando para ser cavalheiro precisa conhecer?
- Ela está certa. – vem o recepcionista em defesa.
- Tem algum hotel aqui perto?
- Tem, vou dar uma ligada.
Vai para a salinha. Os dois ficam em silencio, o clima é mais pesado dentro do hotel do que fora. Alguns minutos depois o recepcionista retorna.
- É, todos lotados. Congresso.
- Mas que congresso é esse?
- A senhora veio para o congresso?
- Não.
- Então não posso falar.
Silencio.
- E agora?
- vocês podem dividir o quarto.
- Mas eu não conheço ele. Vai saber se ele não é um assassino.
- Ei, nem eu te conheço, vai saber se você não é uma assassina.
- A, devo ser mesmo.
O recepcionista já está irritado, e louco para voltar a dormir, interrompe.
- É, pelo jeito não vai poder ficar com nenhum dos dois.
- Como não, eu cheguei primeiro.
- Nós chegamos juntos.
- Ah, é que eu tinha visto errado, não tem mais nenhum quarto, eu achei que tinha mais estava enganado, sinto muito.
Fala e volta para a salinha, deixando os dois sozinhos na recepção.

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O hotel é um mundo deles, eles criaram aquilo, eles podem cobrar 9 reais numa agua. Os hotéis se mantem com o que é vendido no frigobar. Assim como o Bobs é sustentado pelo milk shake e os aeroportos pelos pães de queijo e cafezinho.
Eles não estão te obrigando a pegar, apenas deixando ao seu alcance.

O casal está sentado de frente para o frigobar.
- e se a gente abrisse só para ver o que tem dentro.
- Não. não.
- Mas amor.
- Mas amor é uma óva. Lembra da ultima vez que abrimos o frigobar quanto deu a conta.
- Mas é só pra ver...
- Não existe só pra ver. Se vermos vamos saber o que tem dentro, sabendo o que tem dentro ficaremos com vontade, não vamos dormir e acabar assaltando a geladeira a noite.
- Nossa amor, é só um frigobar.
- Não é só um frigobar. Não diga isso. Isso não é um frigobar. É a personificação do diabo em forma de uma mini-geladeira. Nós somos Jesus no deserto e o frigobar é o diabo nos oferecendo pão.
- Mas e se...
- Não tem mas, já falei!
Ele se revolta, vai até o telefone.
- O que você esta fazendo?
- Vou dar um jeito nisso agora.
Alguém atende do outro lado.
- Alo, gostaria de mudar de quarto... não, não, não aconteceu nada... é porque eu quero um quarto sem frigobar... não tem... nenhum? (silencio) Então faz o seguinte, fecha a conta para mim.
A mulher fica sem entender nada.
- Por que você fez isso.
- Não vou deixar ser tentado de novo. Vamos para outro lugar.
- Mas você vai gastar dinheiro pagando uma nova diária.

- Não tem problema, pelo menos vou vencer o frigobar... e outra a diária vai ser mais barata do que um refrigerante de frigobar.

domingo, 25 de agosto de 2013

LADRÃO DE PRIMEIRA VIAGEM

Dois homens estão na rua. Um na frente e o outro alguns passos atrás. O de trás chama o da frente.
- Ei. Psiu.
O da frente não ouve, continua andando.
- Shiu!
Nada.
- Ei, você.
O homem que está passando olha em volta.
- Eu?
- É.
Silencio.
- você tem horas?
- onze e meia.
- Brigado.
O homem balança a cabeça e vai se retirando.
- Pera aí.
- O quê?
- Isso é um assalto. – resmunga.
- Oi?
- Um assalto.
- Meu Deus, onde?
- Aqui.
- Aqui?
- É, um assalto, meu, em você.
Mostra a arma, imponente. A arma é imponente, não o ladrão.
- O que é isso?
- Uma arma, não da pra reconhecer.
- Sério?
- Sim. Por que, não parece?
- Sei lá, mas é que...
- Mas é que nada, passa a grana.
- Você está mesmo fazer isso?
- Parece que sim né?!
- Não sei, você não parece ladrão.
- Como assim não pareço?
- Não tem cara de ladrão.
- Qual é a cara de ladrão.
- Não sei explicar, mas sei que você não tem.
- Nem você!
- Oi?
- Esquece. Da aí o dinheiro, o relógio, celular, tudo o que tiver de valor.
- ta, mas calma.
- Eu to calmo.
- Sua arma ta tremendo.
- É frio.
- Ta calor.
- porra, quem é você? Fiscal dos ladrões?
- Só estou querendo te ajudar, quantas pessoas você já assaltou.
- Varias.
Silencio, a vitima só olha para o ladrão amador.
- Ok, você é a primeira.
- Então, não pode deixar que as pessoas saibam. Tem que se impor. Vamos começar de novo.
- Ta.
- Me da uma voz de assalto.
- Oi?
- Fala isso aqui é um assalto, etc. as coisas que você falou antes.
- Isso daqui é um assalto, passa tudo, carteira, tudo.
- Ok, vamos de novo, mas agora com mais raiva e mais alto.
O ladrão se solta, então dessa vez da uma voz de assalto com um assaltante experiente.
- Perdeu meu irmão, passa tudo, isso daqui é um assalto, passa carteira, passa celular, relógio. Vai filho da puta.
A policia que está passando do outro lado, ouve tudo e ve a cena, então prende o assaltante.

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O homem de bengala, aparentemente cego, está parado na esquina, a noite, como se tivesse precisando de ajuda para atravessar a rua. Um homem que está passando, fica comovido, então vai ajudar o cego. Segura no cotovelo do cego.
- Quer ajuda?
- Quero.
O homem ajuda, quando chega do outro lado o cego saca uma arma.
- Isso é um assalto.
O homem toma um susto.
- Meu Deus, o que é isso?
- Um assalto.
- Não, quero dizer, você se fez de cego pra me assaltar?
- Não, pera aí, eu sou cego mesmo.
- Mas me assaltando?
- E o que é que tem? Você é preconceituoso? Se acha melhor que um cego.
- Não, longe de mim...
- Longe não, foi o que você disse, ficou surpreso por fazermos coisas que pessoas normais fazem, nós os cegos, também somos normais.
O homem fica passando a mão na frente do rosto do cego enquanto ele está discursando.
- Ok, desculpa, não quis parecer preconceituoso.
- Não, tudo bem, é mesmo um choque a primeira vez.
O homem se certifica mais uma vez que o assaltante realmente é cego.
- Agora chega de conversa, me da todo o dinheiro que você tem. Coloca as notas de cinquenta no meu bolso esquerdo, de cem no direito, de dez no de trás e de cinco pode ficar pra você.
Silencio.
- Não ta me ouvindo não? Quer levar um tiro?
Silencio.
O cego procura a vitima com a bengala, não encontra.
- Porra, tenho que parar de avisar que sou cego.

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Um homem acabara de sair de uma lanchonete, vira a esquina, olhando para um lado e para o outro. É abordado.
- Parado ai, isso é um assalto.
- Oi?
- Um assalto.
- Mas.
- Não tem mas, passa tudo.
- Eu sou dos seus.
- Dos meus?
- É!
- Como assim dos meus?
- Também sou assaltante.
- Não caiu nessa não. Passa tudo!
- To falando sério. Acabei de roubar uma lanchonete.
- Para com essa palhaçada.
- Juro, olha aqui minha arma.
Mostra arma.
- Guarda isso.
- Calma, só to mostrando minha ferramenta de trabalho.
- Não quero ver nada, quero o dinheiro.
- Poxa, mas você vai roubar um dos seus?
- Que um dos meus, você não é um dos meus.
- Claro que sim, eu sou ladrão, você é ladrão. Temos que nos unir.
- Eu não sou ladrão.
- Então isso não é um assalto?!
- É. mas é que eu não sou ladrão, ladrão. Eu tenho um trabalho.
- Pera aí, respeita porque isso daqui é um trabalho.
- Ta desculpa, o que eu to querendo dizer é que eu não faço isso sempre, eu só to fazendo porque estou desesperado.
- Ta então você fica desesperado e quem paga por isso sou eu?
- Mas você acabou de roubar alguém.
- Sim, mas é diferente. Eu não faço isso de onda, quando estou desesperado, de vez em quando. Faço isso sempre. Levo a sério. É o meu sustento.
- É mas...
- Não tem mas, isso é uma falta de respeito. O que o senhor faz normalmente?
- Sou formado em administração.
- Ta explicado porque está fazendo isso, se tivesse cursado outra coisa não precisava estar roubando.

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Num beco escuro.
- Isso é um assalto. Não faça movimentos bruscos.
- Ãhm.
Vira com tudo.
- Ei, falei para não fazer movimentos bruscos.
Toma um susto por causa da arma.
- Ai, cacete.
- Passa tudo o que você tem.
- Meu Deus.
- Da logo o dinheiro, celular, relógio e vamos acabar com isso.
- Não me mata.
- Não vou te matar, só quero suas coisas.
- Eu não tenho nada.
- Você também não está colaborando né.
Começa a bater nos bolsos. Tira a carteira.
- Só tem meus documentos e contas.
- Não é possivel.
O ladrão joga a carteira em cima dele.
- da o celular.
Saca um celular daqueles modelos mais simples, que não se encontra mais por ai, nem no interior. Que o ladrão não conseguiria trocar nem por um cartão telefônico.
- Que merda é essa?
- Meu celular. Ta sem crédito.
- Isso é um telefone sem fio.
- Pera aí, também não precisa ofender.
- Da o relógio.
- Não tenho relógio.
- Tenis.
- Pode pegar, mas ta rasgando aqui atrás.
- Meu Deus.
- O quê?
- Sua situação ta pior do que a minha.
- É, mas pelo menos eu não estou por ai assaltando.
- Olha, mas devia pensar seriamente em começar a fazer isso.

O ladrão fala e vai embora. Mas antes de ir da cinquenta reais para a “vitima”.