segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Uma informação


- Amor não quer pedir informação?
- Não preciso eu sei onde eu to. Só peguei um caminho mais longo pra passarmos mais tempo juntos amorzinho...
- Se queria isso não precisava se perder.
- Patrícia eu não to perdido.
- Como não? Nem o GPS sabe onde estamos.
- Eu falei pra você que esse GPS tava com problema.
- Ele não tava até você dar um murro nele.
- Dei um murro pra ele se espertar!
- É mais você matou ele.
- Patrícia é só um GPS.
- Era... só um GPS!
Silencio dentro do carro.
- Vai ficar emburrada porque eu quebrei o GPS?
Silencio.
- Desculpa amor, mais já tava cansado de ouvir ela me dando ordens, dizendo o que fazer ou deixar de fazer. Vire aqui, entre ali, coloque o cinto. Já tava me segurando a algum tempo!
- Para o carro que eu quero descer!
- Oi?
- Para o carro agora...
- O que você ta falando amor?
- Para o carro se não eu vou começar a fazer um escândalo.
- Porque isso agora? – Parando o carro.
- Porque se com a coitada que só queria te ajudar você deu soco dizendo que ela queria mandar em você imagina o que não vai fazer comigo. – Disse e foi embora.

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- Opa amigão!
- Oi!
- Então é que eu to meio perdido.
- Sei.
- Como assim você sabe?
- Ué porque você acabou de falar.
- Ah!
SILENCIO
- Como eu tava falando. – retomando o assunto. – Eu to perdido. Sabe me informar onde fica a Rua Indonésia.
- Poh a Rua Indonésia.
- É!
- Acho que não tem nenhuma Rua Indonésia por aqui.
- Como não, me disseram que era por aqui...
- Não sei, se fosse por aqui eu com certeza conheceria. Quem falou que era por aqui?
- O ultimo cara que eu pedi informação lá atrás!
- Como era esse cara?
- Como assim, como ele era? Isso importa?
- Você quer saber onde fica a Rua Indonésia ou não?
- Sim!
- Então como ele era?
- Era um senhor, mais ou menos da tua idade, e parecia boa gente!
- Então ele era novo, e parecia boa gente.
- Não disse que ele era novo, disse que tinha mais ou menos a sua idade.
- Que seja. Ele te explicou como chegava a tal rua que você ta procurando?
- Rua Indonésia. E sim explicou. Disse que era só ir reto toda vida!
- E você acreditou?
- Ué porque não acreditaria, acabei de falar que ele parecia boa pessoa.
- É isso que ele quer que outros pensem.
- Do que você está falan... Quer saber, deixe. Muito obrigado pela ajuda. – Já dando a partida pra sair.
- Peraí pra onde você vai se não sabe onde é a Rua Indonésia? Não quer saber onde é?
- Você não disse que não é por aqui?
- E não é!
- Então?
- Então que eu posso estar enganado.
- Como assim pode estar enganado?
- Posso estar enganado por que eu não sou da região!
- Você não é daqui?
- Não!
- Porque não me falou desde o começo?
- Sei lá achei que poderia ajudar!
- Como achou que poderia ajudar, nem conhece aqui.
- Claro que conheço!
- Não disse que não era da região.
- E não sou, mais já estou perdido aqui a tanto tempo que conheço algumas ruas!

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- Aí amor não precisava. – abrindo o presente. – Nem é nada hoje, nenhuma data festiva. Você andou aprontando alguma Adalberto?
- Não!
- Adalberto?
- Poh que desconfiança...
- Nunca se sabe. – disse já rasgando o papel de presente sem a calma que normalmente tinha. – Espera aí o que é isso?
- Um GPS.
- O que você ta querendo dizer com isso Adalberto?
- Nada!
- Como assim nada Adalberto, você me da um GPS de presente de não sei o que, e ainda vem dizer nada?
- Nossa só queria te agradar Luiza!
SILENCIO
- Você tava querendo dizer que eu sou perdida Adalberto?
- Não tem nada a ver amor...
- Diz aí, eu não vou ficar brava...
- Não...
- Fala...
- Ta bom foi por isso!
- Ahá! – gritou fazendo-o pular da cadeira. – Então realmente você estava me dando uma indireta!
- Não foi bem uma indireta...
- Foi uma direta mesmo né.
- Só acho que vai te ajudar.
- Quer dizer que agora então você acha que é uma doença, ser meio perdida é uma doença é isso?
- Não foi isso que eu quis dizer...
- Agora porque eu me perdi umas 5, 9 vezes, eu tenho que ser julgada.
- Eu não to te julgando, e foram muito mais de 9!
- Tudo bem eu me perdi algumas vezes, mais não quer dizer que eu precise de um troço deste... Eu só faço confusão quando são ruas muito parecidas.
- Então é nessa hora que ele vai te ajudar.
- Ainda por cima é um homem narrando? Eu não acredito. Não ACREDITO!
- O que?
- Pega esse negócio e suma da minha frente. E cuidado pra não se perder!
- Pode deixar que eu não vou me perder, além de não ser você que vai estar dirigindo, vou estar com um GPS!

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- Prepare-se para virar a esquerda em 100 metros. – disse uma voz toda sedutora saindo de um GPS.
- Ué resolveu conversar agora então.
- Prepare-se para virar a esquerda a 50 metros.
- Só fala pra dar ordem né!
- Vire a esquerda!
- Quer saber, cansei disso, não vou virar.
- Recalculando a rota!
- Quem disse que eu quero ir pro mesmo lugar.
- Rota recalculada, vire a direito no retorno a 500 metros.
- Eu não vou virar, cansei de ir onde você manda.
- Prepare-se para virar esquerda a 400 metros...
- Chegou a hora de você começar a me respeitar e aceitar minhas decisões.
- Prepare-se para virar esquerda a 300 metros...
- Não vou me preparar, até porque eu não vou virar. Chega. Eu sei pra onde eu vou, não preciso de você, só fala quando quer...
- Prepare-se para virar esquerda a 200 metros...
- Não adianta fazer essa voz, não vou virar...
- Prepare-se para virar esquerda a 100 metros...
- Sinto muito, mais espero que respeite a minha decisão.
- Prepare-se para virar esquerda a 50 metros...
- Não vou virar.
- Vire a esquerda!
SILENCIO
- De volta a rota de inicio. Siga reto e prepare-se para virar a direita a 800 metros!
- Eu só virei pra evitar discussão, não quero isso. Sei que as vezes parece que eu só estou te usando, mas é que quando escuto sua voz nos outros carros fico com ciúmes. Você me perdoa?
- Prepare-se para virar a direita a 500 metros!
- Uí vai me ignorar então, eu só te ameacei brincando, era brincadeira...

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Homem parado no meio da estrada pedindo carona, de repente alguém para.
- Opa valeu por ter parado amigão.
- Nada.
- Será que rola uma carona?
- Sim sim, entra aí!
- Mas pra onde você ta indo.
- Pra lá!
- Putz, eu to indo pra lá.
- Hum que pena!
- Será que não rola você ir pra lá?
- Oi?
- Não tem como me deixar lá?
- Mas eu acabei de vir de lá!
- Você não esqueceu nada lá? Carteira, alguma coisa pra entregar.
- Não!
- Tem certeza? Tenta puxar pela memória!
- Já falei que não, eu preciso ir, vai comigo?
- Você vai voltar?
- Não vou seguir...
- Então será que se eu não colocasse o dinheiro da gasolina não rolava você me levar lá?
- Oi?
- Se eu colocasse combustível você não dava uma carona pro outro lado?
- Você ta me achando com cara de táxi?
- Pera aí eu disse que ia colocar gasolina não que ia pagar a viagem, se fosse assim teria ido de ônibus.
- Você é muito desaforado, parei aqui na maior humildade pra ver se não estava precisando de uma carona...
- Mas eu to precisando!
- Então entra aí e vamos de uma vez! – já ligando o carro.
- Beleza obrigado. – disse já dentro do carro – muito legal da sua parte voltar tudo isso só pra me deixar lá!
- Mais eu não vou voltar! – desligando o carro.
- Não falou que ia me dar a carona.
- Desce do meu carro.
- Qual é o problema de voltar 15 Km?
- Sai do meu carro, seu lunático!
- Poh eu coloco a gasoli... – foi interrompido pelo som do pneu cantando, deixando-o comendo poeira.
- Nossa que mal educado. Isso que eu nem reclamei de estar entrando num carro velho. Falta de consideração! 

domingo, 14 de agosto de 2011

Ah pai!


A televisão ligada e o pai como sempre dormindo.
- Pai... Pai... PAI!
- OI! – Deu um pulo o pai limpando a baba.
- Vai dormir na cama.
- Eu não to dormindo!
- Ah não, eu que to!
- Então vai dormir na cama, sofá não é lugar de dormir. – Disse e fechou o olho voltando a cochilar, no sofá.
- Pai... Pai... PAI!
- Que foi cacete!
- Vai dormir na cama.
- Já falei que eu não to dormindo eu to assistindo.
- De olho fechado?
- To assistindo a novela.
- Mas ta passando jornal!
- Mais e a minha novela? Quem trocou de canal?
- Ninguém trocou de canal. A novela já acabou faz tempo.
- Não acredito, eu pisquei acabou!
- Você não piscou você pescou.
- Para de falar que eu tava dormindo.
- Mais você estava.
- Não tava, eu aproveitei o intervalo pra descansar os olhos.
- Intervalo entre o começo da novela e o fim do jornal.
- Que mane dormindo. Deixa eu assistir quietinho. – Disse, fechou os olhos e voltou a dormir.
O filho levantou, desligou a televisão e saiu.
- Porque você desligou a televisão? Eu tava assistindo. – Resmungou o pai.

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Alta madrugada, marido e mulher dormiam, quando a mulher sente algo a tocando.
- Pode parar com isso Lucio. Amanhã eu tenho que acordar cedo!
Silencio. Agora esse mesmo algo toca o marido.
- Paula amanhã é segunda-feira tem certeza que quer fazer isso agora? Nem é dia disso!
- Quer fazer o que pai? – Disse o filho, assustando pai e mãe.
- Que susto filho. – Disse o pai.
- É sabia que não tinha como ser seu pai mesmo. – Resmungou a mãe.
- O que é que você ta fazendo aqui filho?
- To com medo de ficar no meu quarto, deixa eu dormir com vocês?
- Medo do que filho? Não tem nada lá.
- Como não pai? Tem sim. Se não tivesse eu não tinha vindo pra cá.
- É tem que concordar que faz sentido Lucio. – Disse sem nem se dar o trabalho de abrir os olhos.
- Não incentiva Paula.
- Eu não quero nem saber, vou dormir vocês que se virem. Boa noite!
- Vai dormir no seu quarto Miguel.
- Ah pai deixa eu ficar aqui, to com medo de ficar lá. E eu não vou incomodar não, só vou dormir.
- Não é pelo fato de incomodar ou não filho, é só que você tem que parar com isso.
- Ta eu vou parar, mais hoje deixa eu ficar.
- Você sempre fala isso. E eu sempre caiu. Mais hoje não!
- Mais pai...
- Sem mais pai!
- Mãe! Mãe! Acorda mãe.
- Nem adianta tentar acordar sua mãe, quando ela finge que ta dormindo assim ninguém consegue fazê-la acordar. E eu falo com conhecimento de causa!
- Oi?
- Nada. Vai pro seu quarto.
- Pai tem alguma coisa lá.
- Tem mesmo...
- Viu!
- Tem sua cama, que é onde você deveria estar dormindo.
- Nossa nada a ver pai.
- Nada ver é você achar que tem alguma coisa lá. E não fala assim comigo moleque, eu sou seu pai.
- Aí é modo de falar.
- É modo de falar você vai ver. Quero ver você falar sem os dentes! Agora vai pro seu quarto.
Levantou o pai arrancando o filho da cama e levando-o a força pro quarto.
- Ah pai só queria dormir, sabe só dormir, chegar quietinho e dormir.
- Eu também, só queria dormir, mas você foi me acordar. Agora deita aí e dorme. Boa noite!
- Boa noite pra você que não vai dormir sozinho.
- É você não diria isso se tivesse que dormir com a sua mãe todos os dias.
- Oi?
- Nada!
Silencio. Quarto do casal. A mulher sem nem ao menos abrir os olhos resmungou.
- E aí a fera dormiu?
- Sim. – Respondeu o filho.
- Miguel? Ué, cadê seu pai? – Perguntou a mãe agora de olho aberto.
- Ficou dormindo na minha cama. Fizemos uma troca, ele cuida dos mostras lá, e eu agüento a senhora aqui. Boa noite mãe!

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- Pai me da dinheiro!
- Como assim ‘me da dinheiro’?
- Ué abre a carteira, tira o dinheiro de dentro, e me da!
- Não, mais não é bem assim que as coisas funcionam. Você tem que merecer esse dinheiro.
- Como assim merecer? Sou teu filho, isso já não é motivo suficiente?
- Não é disso que eu to falando!
- Do que você está falando então?
- To falando, que não posso sair dando dinheiro pra você assim, se não você não vai dar valor nele.
- Claro que vou!
- Não vai não! Eu sei disso, sua mãe era assim. Pedia dinheiro eu dava, pedia eu dava, por isso ela não valoriza.
A mãe entra na sala.
- O que vocês estão falando aí?
- Mãe eu pedi dinheiro pro pai ele não quer me dar...
- Não é que eu não quis dar...
- Da logo dinheiro pro moleque. – Gritou a mãe interrompendo-o.
- Não, eu to tentando ensinar uma lição pra ele.
- Que lição? A ser pão duro?
- Que pão duro?
- Dá logo o dinheiro pra ele.
- Não vou dar. Ele tem que fazer por merecer.
- De novo isso pai.
- Não to fazendo por mal, to tentando te ensinar algo.
- Não parece, só parece que você não quer dar e ponto. Olha aí o jeito do pai mãe.
- Quero te ensinar a valorizar, a conquistar as coisas.
- Mais eu só quero ir no cinema. Mãe!
- Pedro me da cinqüenta reais aí!
- Pra que?
- Ah vai ficar me controlando agora? Quer me ensinar uma lição agora também? Eu não sou seu filho...
- Toma, toma. – Deu o pai de uma vez afim de evitar uma discussão maior.
- Toma filho. – Entregando o dinheiro com a mesma mão que tinha pego do pai. – Vai no cinema!
- Obrigado mãe, te amo. – Disse e saiu como se o pai não tivesse ali.
- Você viu o que você fez?
- Sim! Eu não bebi ainda.
- Eu to tentando ensinar algo pra ele e você faz isso? Depois não vá reclamar se ele ficar igual a você.
- Não, eu vou reclamar se ele ficar igual a você. Pão duro!

terça-feira, 9 de agosto de 2011

No Banheiro


- Anda logo! – Disse, batendo na porta.
- Mais eu acabei de entrar.
- Não acabou não. Anda logo eu tenho que tomar banho pra sair. – Bateu de novo.
- To lavando meu cabelo.
- Você é careca.
- A só por isso eu não posso lavar minha cabeça.
- Mais você falou que estava lavando seu cabelo.
- É modo de falar.
- Ta, anda logo.
Silencio. Começa a cantar uma musica.
- O que você está fazendo?
- Lavando o cabelo!
- Você ta cantando?
- Sim, porque não pode?
- Eu não to falando pra você andar logo?
- Mais é uma musica curta.
- Não quero saber eu já to atrasado.
- Tudo bem se não quiser que eu cante essa eu aceito pedidos.
- Ah aceita?
- Sim!
- Meu pedido é que você pare de cantar e saia do chuveiro.
- Desculpe mais vou ficar te devendo, essa eu não sei.
- Essa você não sabe o que?
- Não sei cantar.
- Sai logo desse chuveiro.
- Pega o sabonete pra mim.
- O que você está a todo esse tempo aí e não tinha nem sabonete?
- Tava lavando o cabelo, agora vou lavar o corpo.
- Eu não vou pegar nada, desliga logo isso, e para de falar que tava lavando o cabelo, você é careca.
- Nossa precisa falar assim? Pega lá...
- Não!
- Quanto mais você demorar, mais Eu vou demorar.
- Sai logo daí! – Bateu de novo, desta vez quase derrubando a porta.
- Ta bom não precisa derrubar a porta. Só espera eu enxaguar...
- Enxaguar o que? – Interrompeu – você não tem sabonete.
- O cabel... A cabeça.
Silencio. Som do chuveiro desligando.
- Finalmente hein desligou hein...
- Bem não fui eu quem desligou...
- Como assim?
- Acho que acabou a água!
- Não acredito, se você não tivesse demorado eu poderia ter tomado banho também...
- Eu não tenho culpa.
- Ah não tem culpa? Faça-me o favor. – Foi saindo.
- Ei espera aí!
- O que foi cacete...
- Pega a toalha pra mim!

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- Nossa achei que não entraríamos nunca.
- Pois é a fila pra entrar no banheiro ta maior do que pra entrar na balada.
- Aí, são essas enroladas que ficam demorando no banheiro.
- Verdade, tem batom aí?
- Tenho sim. E aí já viu algum homem que te interessou?
- Não, tava só de olho na fila pra ninguém cortar a frente. Tem lápis?
- Ta aqui. Pois é eu também nem cheguei a prestar atenção ver se tinha algum que prestasse. Tem pasta de dente aí?
- Normal ou pra dentes sensíveis? Ah dizem que aqui é bom.
- Pra dentes sensíveis. Pelo tanto que esperei na fila do banheiro espero que seja mesmo.
- Tem dois amigos meu que disse que viriam aqui. Tem uma chapinha aí?
- Aham. Tenho essa e outra que é de cerâmica. São bonitos?
- Só tem essas duas aí? São!
- Só, deixei a outra em casa, tenho um secador se preferir. Então quando sairmos vamos atrás deles.
- Não, quero fazer uma chapinha mesmo. Vamos mesmo.
- Aí to achando que esse vestido não ficou muito legal.
- Se quiser eu tenho outro aqui na bolsa.
- Sério, acho que vou experimentar. Então fechado, quando sairmos vamos ficar com eles.
- E aí ficou bom? Eu quero o loiro.
- Ficou! Ta eu gostei mais do moreno mesmo.
30 minutos depois
- Agora vamos arrasar.
- Nossa quem são aquelas duas que estão com eles?
- Não acredito.
- O que?
- Esqueci de retocar a maquiagem.
- Vamos ter que pegar toda essa fila de novo?
- Sim!
- Fazer o que né. Quando sairmos vamos lá tirar satisfação com eles.
- Tem outro vestido aí?
- Lógico!

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TOC TOC TOC
- Tem gente! – Gritou lá de dentro.
- Vai demorar muito? – Gritou lá de fora.
- Não sei.
- Como assim não sabe?
- Ué... Não sei!
- Ta fazendo o que?
- Como assim fazendo o que?
- O numero 1 ou o numero 2?
Silencio. TOC TOC TOC.
- Ta vivo? – Perguntou preocupado.
- To tentando me concentrar. – Respondeu com a voz apertada.
- Então ta fazendo o numero 2...
- Ta olhando pela fresta?
- Não, disse que está se concentrando, não precisa de concentração pra fazer o numero 1! Anda logo...
- Nem pra fazer o numero 2!
- Claro que precisa você acabou de dizer que está concentrado, e está fazendo o numero 2...
- Mais eu não falei que estava fazendo o numero 2...
- Então porque está se concentrando, e demorando?
- Eu to fazendo o numero 3!
- Numero 3?
- É o numero 3!
- O que é o numero 3?
Silencio.
- Oi! Do que se trata o numero...
A porta abriu, ele deu passagem.
- Vai, não tava com tanta pressa?
- Tava!
- Então vai de uma vez, não se pode nem fazer o numero 3 em paz. – saindo.
- Ei! – gritou desesperado.
- O que foi dessa vez?
- O que é o numero 3?
- Ah você sabe né. – Disse, e saiu.

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Mesmo banheiro, cabines diferentes.
“Aí, não acredito. Acabou o papel”. – Pensou.
- Opa! Tem alguém aí?
- Tem!
- E aí amigão. Como você ta?
- Não to muito bem não, comi uma feijoada que não caiu bem!
- Hum feijoada, sei bem como é.
- E você o que é?
- Lasanha.
- Lasanha é bom.
- É bom antes.
- Feijoada também!
- É. – silencio – Então entrei correndo aqui, e acabei não verificando uma coisa...
- Não vai dizer que é o banheiro feminino?
- Não. Não. Porque seria?
- Ah é que eu já entrei correndo, pensando só o necessário pra não ‘sujar a situação’, e só então quando já estava ‘descarregando’ que percebi que era banheiro feminino.
- Acontece com todo mundo!
- Sério, pensei que fosse só eu. Ufa, já fiz isso umas três vezes.
- É, três vezes já não é tão normal.
Mais um silencio.
- Então como tava falando, entrei correndo, e só notei que não tinha estepe depois que eu já tava com o carro na estrada.
- Poh que mancada hein!
- O que acontece com todo mundo, vai dizer que já não aconteceu com você. Pra quem já entrou três vezes no banheiro feminino não tem muita moral pra falar não.
- Isso é diferente, foi um acidente. Agora pegar a estrada sem estepe é mancada.
- Esqueci de verificar, tava tão aflito que acabei nem verificando.
- Pois é tem que tomar cuidado pra policia não te parar.
- Policia?
- É, isso da uma multa pesada.
- Porque multa? Acontece, já aconteceu com todo mundo.
- Mesmo assim, tem que cuidar pra não dar cagada.
- É né!
- É!
Silencio.
- Ei, tem papel higiênico aí?
- Ué mais não era você o homem cuidadoso que não anda sem ‘estepe’?
- Ah então quando falou do estepe estava se referindo a isso...
- Você achou que eu estava falando de estepe mesmo?
- Sim. Quem é que faz analogia de papel e estepe?
- Tentei falar de um jeito mais sutil!
- Porque estamos só nós, e num banheiro.
- Não estão não. – Gritou de uma terceira cabine. Desta vez uma voz feminina.
- Aí, não acredito que eu entrei no banheiro feminino de novo.
- Não entrou não. Eu é que entrei no masculino.
- Ufa.
- Você tem papel aí?
- Também não.

domingo, 24 de julho de 2011

Alta madrugada

Alta madrugada.
- Pedro, Pedro, PEDROOO – Balançando o marido.
- Que foi Miriam?
- Tem alguém na cozinha.
- Deixa, não tem nada na geladeira. Ele vai revirar, não vai encontrar nada e vai embora.
- Pedro eu to falando sério.
- Eu também. – Disse ainda de olhos fechados.
- Ouviu?
- O que?
- Olha, escuta.
- Olha ou escuta?
- Quieto. – Fazendo sinal para que ficasse em silencio e ouvisse. – Ouviu?
- Não! – Disse virando para o lado tentando voltar a dormir.
- Como não! Pedro, Pedro...
- Simone. Desse jeito eu vou acabar perdendo a hora no trabalho amanhã, e vou ser mandado embora. É isso o que você quer?
- Não!
- Então me deixa dormir em paz. – Novamente virando para o lado.
ALGUNS MINUTOS DEPOIS
- Pedro, Pedro, PEDROOO – Balançando o marido.
- Que foi cacete!
- Foi pra sala.
- Quem foi pra sala?
- O barulho!
- Que barulho?
- O que tava na cozinha.
- Deixa ele. Vai ligar a TV não tem nada passando. Eu não paguei a TV a cabo.
- Aí como você é besta. Você não pagou a TV?
- Miriam, são duas horas da manhã. Será que da pra você dormir?
- Se você levantar e ir ver quem ta na sala sim!
- Você só vai dormir se eu for lá ver?
- Só!
- Você só vai me deixar dormir se eu for lá ver?
- Aham.
- Ele tava na cozinha e agora está na sala?
- É.
- Então porque você não espera ele chegar aqui no quarto pra descobrir?
- Vai de uma vez Pedro. – Empurrando-o da cama.
Ele foi resmungando. Alguns minutos depois, e nada dele voltar. Um silêncio sepulcral.
- Pedro. Pedro. PEDROOO. – Gritou para o marido, e nada.
Caminhou com medo até a sala. Encontrou o marido deitado dormindo no sofá.
- PEDRO! O que você ta fazendo?
- Você não pediu pra eu vir resolver o negócio do barulho?
- Sim!
- Não parou o barulho?
- Sim!
- Então me deixa dormir em paz cacete.

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Já passava de três horas da madrugada, e os vizinhos de cima pareciam estar numa lua de mel sem fim.
- Nossa! Terceira noite seguida hein!
- Pois é!
- Será que eles não trabalham?
- Devem trabalhar não ta barato o aluguel não.
- Eu não agüentaria trabalhar se fizesse toda essa festa três noites seguida até essa hora.
- É, você já reclama de fazermos uma, e nem chega a ser uma festa tão grande. – Resmungou.
- Oi?
- Nada não.
- Será que só nós conseguimos ouvir?
- Com o barulho que eles fazem acho que o prédio inteiro ouve.
- É né! Fazem mais barulho que o menino do 43 que tem uma banda.
- Verdade.
- E os gritos dela é mais afinado que o vocalista deles. – Disse e riu.
- Ãhm?
- Nada não. – Sério.
Silêncio, no quarto deles. Festa no de cima.
- Ta dormindo?
- Não. Nem tem como.
- Então já que não vamos conseguir dormir, e eles estão tão no clima, que tal se a gente...
- Quieto. Quieto. – Interrompendo.
- O que?
- Pararam! Finalmente. Agora vamos poder dormir.
Viraram cada um para um lado, como o de costume.
- O que você ia dizer Nilson?
- Nada não. Boa noite.

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Alta madrugada, o casal dormia quando de repente algo surgiu em meio às cobertas.
- Carlos pode parar com isso, olha a hora que é nem venha de gracinhas. – Resmungou a mulher.
- O que você disse mãe. – Disse o filho assustando a mãe.
- Nossa que horas você entrou aqui?
- Agora.
- Carlos, Carlos. – Cutucando o marido.
- Que foi mulher. Não vou acordar pra fazer isso hoje, ontem quando eu queria você não quis. – Ainda, meio, dormindo.
- Cala boca. O Junior ta aqui, e quer dormir com a gente.
- Ah filho, é você. – Acordando sem jeito.
- Quero dormir com vocês. Não quero ficar sozinho.
- Ah meu Deus. – resmungou o pai, virando para o lado tentando dormir.
Silêncio.
- O que é que o papai queria ontem a noite que você não quis mãe. – Perguntou o filho, deixando os dois sem saber o que falar.
- O que é que o papai queria? – Enrolou a mãe.
- É! – Respondeu mais acordado do que nunca.
- O papai queria que você viesse dormir aqui com a gente ontem, mas a sua mãe não quis. – respondeu o pai, cuspindo primeira coisa que veio cabeça.
- Sério isso mãe?
- É... É!
- Então já que ontem ela não quis. Sinto muito mais hoje você não pode ficar aqui com a gente.
- Mas pai.
- Sinto muito, não é culpa minha.
- Ah mãe, tudo culpa sua, se tivesse deixado o papai ontem, eu não ia precisar sair hoje. – Saiu o filho batendo o pé.
Silencio, novamente.
- Amor. Amor. Já que o Junior já nos acordou mesmo, e não está mais aqui, bem que a gente podia...
- Não podia nada. – Disse interrompendo. – Culpa sua o menino ta bravo comigo.
- Culpa minha? Não tinha o que falar, você viu o que ele perguntou.
- Sim eu vi. Só que não precisava ter jogado a culpa em mim. Boa noite. – Virou para o lado e dormiu.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Nada pra dizer

- Mas cara, se conselho fosse bom eu não dava...
- Então quanto você quer por um conselho bom? – Disse interrompendo-o.
- Ãhm?
- Você ia dizer que ‘se conselho fosse bom você não dava, vendia!’. Então quanto quer por um conselho?
- Sei lá cara, só estou usando um jargão. Isso é normal. Você da o pitaco e fala a frase. Eu não faço as regras, só as sigo.
- Sim eu sei. Mas se cantou a pedra é porque deve ter um dos bons aí...
- Dos bons o que?
- Conselhos!
- Você ta louco?
- Não to louco cara. Diz aí, tem um fresquinho? To precisando, to deprê!
- Eu só falei por falar cara, não tenho nada...
- Só uma ajudinha cara. Faz teu preço, eu pago.
- Não tenho nada pra falar...
- Vai ficar se fazendo? Quando precisou de mim eu te dei um conselho, diga-se de passagem um bom, e de graça!
- Do que você está falando?
- Lembra quando terminou com a Marta e estava querendo se matar?
- Lembro, foi uma fase dificil. Só que eu já superei.
- Superou com a ajuda de quem?
- Oi?
- Quem te ajudou a superar?
- Foi você! Mas o...
- AH-HÁ! – gritando e interrompendo-o novamente.
- O que é que tem?
- O que é que tem? O que é que tem?
- É. O que é que tem?
- O que é que tem é que eu não cobrei nada!
- Você está jogando na minha cara um conselho?
- Não é que estou jogando na sua cara um conselho, um bom conselho...
- Está jogando na minha cara sim.
- Não, não é isso... Só pensei que...
- Quanto vai querer por ele. – Interrompendo dessa vez, sacando a carteira do bolso. – Fala eu pago.

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- E aí tudo bem com você?
- É...
- O que é que aconteceu?
- Acho que a minha mulher está me traindo.
- Não brinca!
- Não brinco com essas coisas.
- Porque ta achando isso?
- Ela anda muito estranha...
- Estranha como?
- Sei lá, não sai do telefone, ta com umas conversas doidas, vive dando desculpa pelos atrasos, meu vizinho também comentou umas coisas...
- Ah isso é normal, toda mulher é assim.
- Será?
- É minha mulher também é assim, nunca tem tempo pra nada, vive no telefone, sempre com conversas nada a ver, e vizinhos sempre falam demais.
- Será que a sua mulher também não está te traindo?
- Ãhm?
- Acho que a sua mulher também está te traindo!
- Que isso cara. Eu confio na minha mulher.
- Eu também confiava na minha, até começar a desconfiar que ela esta me traindo.
- Caramba, será que a minha mulher está me traindo?
Chega um terceiro na conversa.
- E aí rapaziada!
Ninguém responde
- Ei to falando com vocês. Ta acontecendo alguma coisa?
- Acho que a minha mulher ta me traindo!
- Se ta zoando.
- Ninguém me leva a sério mesmo.
- Acho que a minha também está.
- Vocês estão viajando...
- Que viajando cara...
- Porque estão achando isso?
- As atitudes dela.
- Delas!
- Mais estão traindo uma com a outra!
- Não, não...
- Não ta louco!
- Então porque estão achando isso?
- Ela anda meio estranha, falando no celular demais...
- Nunca tem tempo pra nada...
- E o vizinho também comentou algumas coisas...
- Ei minha mulher também é assim.
- É então sinto dizer mais a sua mulher também está te traindo...

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- Alo... Alo... – Gritando ao telefone – Acho que não é ninguém.
- Oi...
- Porque a demora pra falar?
- Tava ruim o sinal.
- Quem ta falando?
- Alguém que está prestes a se matar?
- Não tem ninguém com esse nome aqui!
- Que nome?
- Esse que você falou agora!
- Não falei nenhum nome.
- Ah não? É que eu não estou entendendo direito. Onde você está? Ta bem ruim a ligação.
- Estou na janela do vigésimo andar de um prédio.
- Ta bem alto o que você está fazendo aí?
- Vou me jogar...
- Repete porque cortou!
- Estou me preparando pra pular. Me matar. Suicidar!
- Que brincadeira é essa?
- Não é brincadeira nenhuma. É verdade!
- Aham muito engraçado.
- Não era isso que eu queria ouvir antes de morrer, mais já que esse foi o destino...
- Onde você conseguiu meu numero?
- Disquei os números sem ver e acabou parando no seu...
- Ta então quer que eu acredite que você discou aleatoriamente e caiu no meu. Então resolveu bater um papo antes de se matar!
- Isso mesmo.
- Ta então eu sinto muito, só que eu não tenho tempo pra isso.
- Espera aí. Não desliga, não desliga... – gritou desesperado como alguém a beira da morte.
- O que foi?
- Não quer saber por que eu vou me matar?
- Chega dessa brincadeira, você não vai se matar coisa nenhuma. Passar bem.
- Não... Não...
- O que foi? Eu tenho mais o que fazer!
- Não se preocupa com a vida dos outros?
- Não, prefiro me preocupar com a minha!
- Você vai se arrepender.
- Olha quem ta falando sobre arrependimento!
- O que foi?
- Você não tem moral pra falar. Acaba de dizer que vai se matar.
- Me desculpa, mas não é só porque eu vou me matar que eu não tenha o direito de falar.
- Só? Ta prestes a se jogar da janela e acha que é só? Tem que se matar mesmo.
- Só sim. Não vou fazer isso porque você está mandando. Vou fazer porque eu quero.
- É sim. Desde que ligou aqui está falando que vai pular e até agora nada.
- Não é bem assim. Não posso só chegar e pular!
- É tem que gastar seus créditos antes. Vai morrer e deixar créditos no celular, ta louco, é pecado.
- Ei só liguei porque eu tinha que dividir com alguém a o motivo do meu suicídio.
- E não poderia ter escrito uma carta como todos os outros suicidas?
- Poderia, só que eu quis criar um diferencial pra ser o primeiro cara que se suicidou e ligou para um qualquer...
- Espera aí. Quer dizer que você liga no meu celular. Me faz eu perder um tempão...
- Calma... – tentando interromper.
- Não me interrompa. Agora vai me deixar terminar. Me faz eu ficar esse tempo todo aqui, e ainda vem dizer que eu sou qualquer um...
- Não foi isso que eu quis dizer.
- Foi isso que eu entendi!
- Olha acho que você precisa de tratamento.
- Eu preciso de tratamento? Eu?
- É!
- Você me liga dizendo que vai se jogar do vigésimo andar, e eu é que preciso de tratamento.
- Caramba é verdade. O que eu tava pensando, tem varias pessoas em situação pior que a minha e não está tentando se matar, e eu fazendo isso.
- O que você quer dizer com isso?
- Ei muito obrigado pela ajuda que você me deu, e por mostrar que eu não sou só eu que tenho problemas...
- Ta dizendo que não vai se matar mais?
- Não. E graças a você. Grava meu numero, e o que precisar de mim pode ligar. E por favor não tente se matar. Sua vida vale muito. Não é porque você tem problemas que deve fazer uma besteira desta.
- Não sei porque ta falando isso pra mim, quem tava tentando se matar era você...
- Tchau, passar bem, e se cuida viu...
- Alo... Alo... – Gritando novamente. – Se mata... Se não eu vou me matar... ALO!

domingo, 3 de julho de 2011

Sinceramente

Dois homens se trombam na rua
- Opa desculpa! – Um ajudando o outra a se levantar.
- Que isso eu que tenho que pedir desculpa... Caramba não acredito!
- O que, você se machucou?
- Não acredito que é você! Quanto tempo. Como você ta meu querido?
- Eu to bem... To bem... “Putz quem é ele mesmo?”.
- Quem é vivo sempre aparece hein...
- É... É! “Meu Deus, quem é ele?”
- Poh você continua magro...
- E você inteligente! – Resmungou.
- Ãhm?
- Nada não...
- E aí, o que anda aprontando?
- Ah to na mesma ainda...
- Sério. É eu também to lá ainda!
“Lá onde? Porra tenho que parar de beber”, pensou. E o seus irmãos como estão? “Se falar dos irmãos pode ser que eu lembre”.
- Irmãos?
“Puta que pariu”.
- Você continua um sarrista hein...
“Como ele me conhece tão bem e eu não lembro quem é. Vou falar pra ele que não tenho a mínima idéia de quem é ele”. Pois é continuo!
- Não vai mudar nunca!
- E a galera tem visto? “Isso se ele falar de um dos amigos eu mato a charada”.
- Não, e você?
“Tenho que acabar com isso”. Não também!
- É, mais é a vida né. Cada um acaba seguindo o seu caminho.
“E eu queria não ter pego esse”.
- Velho tenho que ir nessa...
- Pois é, eu também...
- Diz que eu mandei um beijo pra Paula.
“Paula? Mais que é Paula”. Digo sim.
- E vamos marcar alguma!
- Vamos sim.
- Você tem meu telefone né! Eu to com o mesmo ainda...
- Tenho, tenho... É aquele mesmo né...
- É você trocou?
- Não, não...
- Então eu te ligo pra fazermos alguma...
- Isso!
- Abração, foi bom te rever em Claudião! – E foi embora.
- Outro. Bom te ver também... “Claudião, espera aí mais eu não sou o Cláudio”.

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- Amor... Amor...
- Oi.
- Olha aqui pra mim.
- Eu to olhando! – Disse olhando para televisão.
- Você acha que eu engordei depois que casamos?
- Ãhm?
- Você acha que eu to muito diferente do dia que nos conhecemos?
- Não... Não... – Respondeu e continuou assistindo televisão. “Sim... Sim”, pensou.
- Então porque eu não consigo mais vestir as roupas de quando eu te conheci? – Perguntou já entrando em frente a televisão.
- Por que?
- É!
- Porque esta fora de moda, né amor. – Puxando ela para o lado.
- Tem certeza mesmo amor?
- Tenho. Tenho. Agora vai um pouquinho pro lado que eu to tentando assistir.
- Se você me conhecesse hoje, daria em cima de mim como deu na época? – Insistindo no assunto.
- Se eu daria em cima de você?
- É! Você me pegaria?
“Eu não ia agüentar”, isso foi o que ele pensou. Claro, sem pensar, o que ele disse. Agora posso assistir?
- Pode, pode... Ah só mais uma coisa!
- O que foi cacete...
- Já que você foi tão sincero comigo, você foi né!?
- Sim. – Disse. “Não”. – Pensou.
- Então eu vou ser sincera com você. Se fosse hoje em dia eu não teria te dado chance como eu te dei aquela vez. Você ta meio gordo, não sai da frente desse sofá e ta ficando careca!

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Dois velhinhos deitados conversando.
- É véio a vida passou rápido né! – Comentou cutucando o velho.
- Oi?
- Ah vida passou rápido!
- É, fazer o que. Vai passar pra todo mundo né! – resmungou com os olhos já fechando.
- Vai mesmo.
Alguns minutos de silencio.
- Vivemos muita coisa hein...
- Vivemos, vivemos. – Disse tentando puxar pela memória.
- Lembra quando você me conheceu?
- Lembro. Claro que eu lembro. – Mentiu.
- Nenhuma das minhas amigas gostava de você. Disse que você não prestava pra casar. Que não tinha futuro.
- Eu achei que a suas amigas gostavam de mim.
- Não gostava nenhum pouco.
- É não da pra agradar todo mundo.
- Meus pais também não apoiavam muito também não.
- Ah não.
- Pra falar a verdade ele não iam muito com a sua cara.
- Ué, mais eles me tratavam tão bem.
- Tratavam na sua frente, mas quando você virava as costas desandavam a falar mal de você.
- Caramba pra você vê como são as coisas. – Já virando para o lado pra tentar pegar no sono.
- Meus irmãos então. Tinham um ódio de você!
- Seus irmãos?
- Tinham um saco de dar soco com a sua foto!
- Eu pensei que tínhamos uma relação boa.
- Eles se controlavam porque não queriam ir preso.
- Por isso nunca quiseram vir jantar aqui em casa. Achei que é porque achavam que você cozinhava mal. Uma pena, sempre considerei eles. – Lamentou e virou para o lado para o lado tentando novamente dormir.
- Tivemos que sacrificar o meu cachorro porque ele tentava escapar pra te morder. Quando sentia teu cheiro ficava uma semana latindo sem parar.
- Porra mais ninguém gostava de mim mesmo hein. O que é que eles tinham contra mim? Nem me conheciam, e me julgavam tanto assim. – Reclamou sentando na cama.
- Pois é. Se eles tivesse vivido metade do tempo que eu vivi com você pelo menos teriam uma razão pra te odiar tanto. – Disse, virou pro lado e dormiu.

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- Olha nós precisamos conversar sério.
- Ih, o que foi que aconteceu?
- Acho que não da mais.
- Não, você não pode ta falando sério.
- To falando sério sim. Se não, não teria falado “precisamos conversar sério”.
- Faz sentido.
- Então como eu ia dizendo, não da mais. Acho que já chegamos no nosso limite.
- Não. Eu ainda tenho mais um pouquinho.
- Pouquinho do que?
- Disse, “chegamos ao nosso limite”, eu agüento mais um pouco.
- Mais eu não agüento mais.
- Eu vou me esforçar mais.
- Não, não é você...
- Se não sou eu, então quem tem que se esforçar mais é você!
- É acho que devia mesmo, mas é que eu não quero mais...
- Mas por quê? Vivemos tantas coisas boas juntos.
- Eu sei, eu sei... Porém vivemos muitas coisas ruins também.
- Mas pense nas coisas boas.
- Eu tento, mais aí vem as ruins e eu esqueço das boas.
- E as juras de amor?
- Eu tava com o dedo cruzado!
- E as promessas?
- Vão ficar no papel.
- E tudo que construímos juntos?
- Vai ser embargado...
- Eu não acredito. Não acredito!
- Não se preocupe você vai encontrar alguém melhor que eu!
- E se eu não encontrar.
- É daí eu já não sei! – Resmungou.
- Ãhm?
- Você vai encontrar. Vai sim.
- Se você me deixar eu vou pensar em me matar.
- Não pense, faça!
- Oi?
- Eu disse, não faça, não faça isso. Você é linda, inteligente, simpática.
- E porque você está me deixando?
- Porque?
- É?
- Boa pergunta...
- Foi alguma coisa que eu fiz?
- Não!
- Que eu disse?
- Não!
- É, então realmente o problema é você! Melhor terminarmos.

domingo, 12 de junho de 2011

DIA DAS NAMORADAS

Enquanto isso no jardim do Éden.
Eva: Amor sabe o que eu vou te dar de dia dos namorados. Adivinha. É uma fruta e está mordida...
Adão: Amor não acredito que você vai me dar um Iphone 4...
Eva: Não, só uma maçã mordida mesmo!

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- Amor o que você comprou de presente pra mim?
- Um cinto!
- Cláudio isso não é hora de fazer piada!

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- Paula não da mais. Eu quero terminar com você!
- Oi?
- Não da mais. Eu não te amo mais. Não respeitamos um ao outro...
- Não acredito...
- Paula é o melhor pra nós dois. Já deu o que tinha que dar...
- Mais amanhã é dia dos namorados...
- Sim eu sei. Mais é que isso já estava me sufocando. Não agüentava mais segurar.
- Não posso passar o dia dos namorados sem namorado...
- Oi?
- O que as minhas amigas vão pensar?
- Eu to terminando tudo e você está pensando nas tuas amigas... Eu vou embora...
- Não, não, espera aí...
- O que foi?
- Dá o presente pelo menos...
- Você louca mesmo... Ainda bem que terminamos... Tchau!
- Não muda o status pra solteiro ainda não, deixa pra fazer isso segunda... Beijo te amo!

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- Amor acorda! O que você comprou pra mim?
- Oi... Que dia é hoje?
- Domingo, dia dos namorados...
- Domingo? Poh me deixa dormir!
- Que dormir. O que você comprou?
- O que você quer presente de dia dos namorados?
- Claro!
- Ué mais não somos namorados. Somos CASADOS!
- E o que é que tem?
- Que é que tem, é que é dia dos namorados e não dia dos casados!
- Só por isso você não vai me dar presente?
- Amor você tem que entender que depois que você aceitou se casar comigo perdeu o direito de ganhar presente de dia dos namorados!
- Ah é e você acabou de perder o direito tocar em mim até segunda ordem! Vou voltar a dormir!
- Aí amor eu tava brincando... O que você quer de dia dos namorados... Vou lá comprar!

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- O que você comprou Cláudio?
- Uma saia!
- CLAUDIOOO!

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No bar
- E aí o que você deu de presente pra sua namorada?
- Um perfume.
- E ela te deu o que?
- Deu uma calça.
- Legal, legal. E você?
- Poh eu levei ela pra jantar e dei um par de brincos de ouro.
- Poh detonou hein! E ela te deu o que?
- Um Iphone!
- Caramba mandou bem...
- Mais diz aí e você deu o que pra sua namorada Jorge?
- Cara eu não dei nada material. Só disse que a amava. Que ela era a coisa mais importante. Que um presente não representa o que eu sinto por ela, mas sim o que eu tenho por dentro!
- Bonito isso hein. Muito legal mesmo...
- E ela te deu o que?
- Um pé na bunda!

No salão
- E aí menina o que você ganhou do teu namorado?
- Um perfume que eu tava querendo faz tempo.
- Nossa que tudo. E você deu o que pra ele?
- Uma calça jeans...
- E você ganhou o que?
- Ele me levou pra jantar e me deu um par de brincos de ouro...
- Nossa que chique hein... Você merece. E deu o que pra ele?
- Um Iphone!
- Nossa não economizou também hein.
- E você Laura ganhou o que do Jorge?
- Não ganhei nada!
- Ãhm?
- Nada. Ele disse que não ia dar nada material. Só amor. Que eu era a coisa mais importante. E que um presente não representa o que ele realmente sente por mim.
- Não acredito amiga!
- Eu também não acreditei. Terminei com ele na hora!
- Ah bom. Pensei que ia cair nessa conversa.

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segunda-feira no TRABALHO
- Bom dia. Porque você está com essa cara?
- Porque ontem eu acordei as 07h:00m eu tinha esquecido que era o dia dos namorados...
- Putz e aí?
- Aí eu levantei desesperado e fui comprar o presente! Então lembrei que não tinha namorada...
- Mais não precisa ficar assim não cara. Uma hora você vai conseguir arrumar uma namorada...
- Não eu to com essa cara, porque não consegui voltar a dormir!