terça-feira, 27 de setembro de 2011

Avesso



- E aí o que achou?
- O que achou do que?
- Você não notou nada de diferente?
- Carlos eu to tentando assistir TV
- Para de olhar só um pouquinho pra TV e olha pra mim mulher! – Disse o homem batendo o pé.
- Poh mais do que você ta falando Carlos? To tentando ver minha novela! – Esbravejou a mulher tentando ver a TV.
- Do meu novo corte... Você não presta atenção em nada mesmo né!
- Mas não mudou nada...
- Como não?
- Não mudou ué! Do jeito que você saiu de casa, você voltou. Quer dizer, tudo menos 40 reais no bolso.
- Eu mudei sim, e não é 40 é 60 reais.
- O que? 60 reais pra não fazerem nada? Desse pra mim que eu fazia! No caso, não fazia!
- Ah vai ficar jogando na minha cara agora? E como assim não fez nada? Ele fez o pezinho!
- Por 60 reais eu fazia o pezinho, a mãozinha, o braçinho...
- Rá, rá, rá... Engraçadona. Tira sarro mesmo, você vai querer “sentir” o meu pezinho a noite! – Disse e saiu.
- Para Carlos! Eu tava só brincando... Volta aqui... Homem é tudo sensível mesmo. – Disse ela voltando a assistir a novela.

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NO BAR
- Iai Gorda como você está? – Cumprimentou a amiga apertando a bunda.
- Não tão acabada como você mais levando. – Retrucou a amiga devolvendo também o apertão.
- Cadê o maridão?
- Hum ta em casa vendo a novela, aquele lá não perde um capitulo.
- Ih menina o meu também não. Acredita que a gente foi no motel esses dias e ele só começou o “trabalho” depois que acabou a novela.
- Caramba sério!
- To falando.
- É pelo menos, fica uma hora inteira sem falar.
- Pelo menos isso. Me vê duas cervejas. – Pediu para o garçom.
- Três. - Disse uma terceira que acabara de chegar.
- O Safada! Como você ta? Sua sem vergonha!
- Não como você, mas gostaria!
- Pena que eu não posso dizer o mesmo. Ainda mais com essas banhinhas sua, fica difícil hein!
- Quando você casou seu marido pediu com borda de catupiry? Porque você está com uma em volta da cintura!
- Querida isso aqui não é borda de catupiry, é borda de cream-cheese, eu sou chique meu bem!
E caíram na gargalhada as três.
- E aí cadê o encosto?
- Deve estar em casa, eu disse que tinha reunião e que teria que chegar mais tarde!
- E ele acreditou?
- O meu já fica com um pé atrás quando digo isso...
- Ele acreditou daquele jeito né. Ah, mas depois eu levo uma caixinha de cerveja e está tudo certo.
- Cerveja sempre funciona.
- Sempre. – Concordou.
Toca o celular de uma das três.
- Ih olha a policia.
- Agora o bicho vai pegar...
- Xiu, xiu, é o meu marido!
Atendeu a terceira.
- Oi amor! Tudo bem? Tudo, tudo... Então não sei, acabou de começar aqui... O que é essa musica? É o celular da verônica que ta tocando... É a versão ao vivo... Ta não pretendo demorar não... Não, não precisa esperar acordado não... Ta tchau... Beijo... Também te amo Pedro... Também, eu preciso desligar agora... Boa noite! – Disse e desligou o celular. – Ufa, foi por pouco.
- Também te amo? Ah larga a mão mulher...
- O que? Tem que dar uma moral, e outra falo isso agora pra não complicar depois! Desse mais uma rodada! Agora por minha conta.
- Ta com o cartão do maridão é!?
- O que você acha?
- Opa, então vou ligar para o meu e falar que também não precisa esperar acordado que a noite vai ser longa!

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- Boa noite.
- Boa noite amor!
- Porque essas velas aqui na mesa de jantar Jairo?
- Espera aí, eu não acredito que você esqueceu!
- Esqueceu o que?
- Você esqueceu Maria Fernanda...
- Eu não esqueci. Rá pegadinha!
- Esqueceu sim!
- Não esqueci não... Para de ficar falando que eu esqueci, porque se não eu vou esquecer!
- Como você pode?
- Jairo eu já falei que eu não esqueci. Eu comprei até um presente.
- Então cadê?
- Eu deixei na empresa.
- Você não comprou nada!
- Comprei sim!
- O que é então?
- O que é o que?
- O presente!
- É uma camisa do seu time!
- Você nem sabe para o time que eu torço Maria Fernanda.
- Claro que eu sei! E para de me chamar de Maria Fernanda, da a impressão que você está bravo.
- Não sabe não, e eu estou bravo!
- Ta estressado sem necessidade.
- Como sem necessidade? Sem necessidade? Você esqueceu que dia que é hoje e ainda tem a capacidade de dizer que eu estou bravo sem necessidade.
- Mas eu não esqueci cacete!
- Ah vai começar a me tratar mal agora? Você faz a cagada e eu vou levar a culpa.
- Não, desculpa amor, desculpa, não devia ter falado assim.
- Ah eu já devia imaginar Maria Fernanda. Não sei por que crio falsas expectativas com você ainda.
- Desculpa Jairo.
- Desculpo, claro que eu desculpo, aliás eu sempre desculpo e acho que é por isso que você sempre volta a errar, porque sabe que o trouxa aqui vai te desculpar! – Fala e vai saindo de cena, Maria Fernanda vai atrás. – Nem precisa vir pro quarto, pode deixar que eu levo suas coisas, hoje a senhora vai dormir na sala. Boa noite!

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No meio da noite, a mulher começa a passar a mão no marido.
- O que foi? O que foi... – Resmungou ainda meio dormindo.
- Nada... – Disse e continua a passar a mão nele.
- O que você está fazendo Carla?
- Sei lá tava tendo um sonho e fiquei com vontade de...
- Nem comece. – Interrompendo-a. – São quatro horas da manhã, e daqui a pouco eu já tenho que levantar.
- Que isso, vamos nos divertir um pouco.
- Não.
- Ah para Sergio, é rapidinho...
- Já disse que não...
- Eu estou só de calcinha e sutiã. - Cochichou no ouvido dele. - Vamos dar uma rapidinha.
- Pior ainda, você acha que vou perder meu sono por causa de uma rapidinha? Nem pensar. – Vira para o lado e da o assunto como encerrado. – Ah e Coloca o pijama porque eu não quero ninguém tossindo amanhã cedo! Boa noite Carla.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A conta e um café!

- Garçom traz a conta e um café...
- Dois...
- Dois!
- Desculpe mais não temos café. – Disse o garçom educadamente.
- Como assim não tem? – Disse o cliente, não tão educadamente.
- Desculpe, mas não temos senhor.
- Então eu não vou pagar a conta!
- Oi?
- Não posso aceitar uma conta sem um café.
- Nem eu...
- Mas senhor não temos o café, contudo o senhor almoçou.
- Almocei porque achei que na hora que fosse pagar a conta teria um café.
- É que não servimos café aqui.
- Chama seu gerente pra mim...
- Senhor...
- O gerente, por favor. – Interronpendo.
- O que está acontecendo? – Perguntou o gerente educadamente, que passava exatamente quando foi requisitado.
- É que eu queria minha conta...
- Já vou tirar para o senhor. – Interrompendo
- E um café...
- Dois!
- Senhor, o café eu vou ficar devendo.
- Então eu vou ser obrigado a ficar devendo o almoço também.
- Mas senhor não servimos café.
- Desculpe, mas o meu cartão não passa sem café. – Disse e levantou da mesa.
- Nem o meu! – Também levantando.
- Calma, calma, vamos dar um jeito nisso. Pedro. – Chamou o garçom. – Vá até a padaria e traga um café para o senhor aqui.
- Dois!

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- Me vê um cafezinho médio, rapidinho, porque eu to com um pouquinho de pressa!
- Cafezinho ou pingado?
- Um carioquinha.
- Carioquinha ou cafezinho...
- Cafezinho carioquinha.
- Pingado?
- Não, carioquinha.
- Carioquinha não é a mesma coisa que o pingado?
- Não sei, é?
- É!
- Então pode ser...
- Qual pingado ou carioquinha?
- Não é a mesma coisa?
- Não, se fosse não teriam nomes diferentes.
- Ué, mas você acabou de falar que eram a mesma coisa!
- Mas não são...
- Qual é a diferença?
- Um é café com leite, e o outro é leite com o café!
- Qual que é qual?
- O café com leite é o pingado, e o leite com café é o carioquinha.
- Não da na mesma? Café com leite, e leite com café...
- Não, não. Um da o pingado e o outro da o carioquinha.
- Ta me vê qualquer um dos dois. Só agiliza porque eu tenho compromisso... Só não muito preto...
- Espera aí eu não vou admitir esse tipo de coisa aqui!
- O que?
- Esse tipo de preconceito no meu estabelecimento...
- Preconceito?
- Não manda muito preto, como assim muito preto... Respeito!
- Ãhm? Eu tava falando do café!
- Eu também!
- Quer saber me vê um copo de leite!
- Normal, desnatado ou semi-desnatado?

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- Ei que tal qualquer hora a gente tomar um café?
- Eu não gosto de café!
- Nem eu.
- Ué então porque está me convidando pra tomar um café?
- É modo de falar...
- Como assim modo de falar?
- Modo de falar, ‘vamos marcar alguma’, ‘marcamos um café’, essas coisas sabe?
- Ah...
- Então quando vamos tomar esse cafezinho?
- Já falei que eu não gosto de café, que fixação...
- A é desculpa. Então quando vamos marcar uma cervejinha?
- Não bebo cerveja.
- Não, você não entendeu ainda. Não quero dizer tomar cerveja mesmo. É só mais um modo de falar. ‘Sair tomar uma’, ‘brindar e conversar’, etc. É uma forma de convite figurativa.
- Ah... Agora entendi.
SILENCIO
- Quando vamos sair comer um negócio juntos?
- To de regime!
- É pelo jeito você não entende de modo de falar mesmo. Esse é mais um modo de te convidar pra sair, é um convite discreto...
- Quem não ta entendendo aqui parece que é você.
- Eu, como não?
- Não ta entendendo, que essas desculpas são um modo discreto de falar NÃO! – Pegou a bolsa e saiu. – Até parece que eu não gosto de café.

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- Sabe o que dizem sobre quem chocha o pão no café com leite né!
- Não... O que dizem?
- Que é meio coisadinho.
- Coisadinho? O que é coisadinho?
- Coisadinho... ‘Molha o pão no café com leite’, ‘afoga no chocolate quente’, ‘da ré no cappucino’...
- Nada a ver...
- Então ta né, se ta falando. – Disse e voltou a comer.
- Alcança o adoçante pra mim...
- Hum... Adoçante.
- O que?
- Chocha o pão. Toma café com adoçante. Só falta dizer que gosta de ovo com a gema mole.
- Seu ovo frito, com a gema mole, senhor. – Disse o garçom respondendo a pergunta como se estivesse escondido só esperando a perguntar vir a tona.
- Não acredito!
- O que? Qual o problema.
- Chocha o pão beleza. Pão com manteiga e ervas finas, já é meio forçado... Agora ovo com a gema mole... Aí já não tem mais como te defender.
- Não acredito que você ta insinuando que... Não acredito.
- Eu não to insinuando nada, seu ovo com a gema mole, ervas finas e pão chochado é que está! Fecha pra mim aqui. – Disse e saiu.

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- Parei de fumar...
- Poh parou mesmo, parabéns...
- Quer dizer to parando...
- Ah... Já é um começo.
- Pois é.
- Pelo menos ta se esforçando...
- É difícil parar de uma hora pra outra...
- É né.
- É.
SILÊNCIO
- E usando qual sistema pra parar? Adesivo, filtro...
- Agora só fumo quando tomo café. – Interrompendo-o
- Ah café e cigarro é a combinação né!?
- Pois é, um chama o outro.
- Eu gosto muito de café.
- Eu não gostava tanto, mas agora com esse negócio de só fumar quando tomo café me fez gostar mais...
- Aé?
- Se é, to tomando café toda hora! Aliás vou lá tomar um golinho. – Sacou a carteira de cigarro e saiu.

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- E a tia do café hein...
- O que é que tem ela?
- Não ficou sabendo o que aconteceu?
- Não. O que aconteceu?
- Foi mandada embora!
- Não acredito, quando?
- Ontem!
- Hum isso explica o porque o café tava com gosto de ‘café de ontem’.
- É.
- Mas porque ela foi mandada embora? O café dela era tão bom!
- Por isso...
- Isso o que?
- Foi mandada embora porque o café dela era bom!
- Ãhm?
- É... Como o café dela era muito bom, ninguém se concentrava, toda hora ficavam levantando pra ir pegar café.
- Loucura. E agora?
- Agora estamos pensando em fazer uma greve...
- Greve?
- É! Enquanto não contratarem ela de novo ninguém trabalha.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Uma informação


- Amor não quer pedir informação?
- Não preciso eu sei onde eu to. Só peguei um caminho mais longo pra passarmos mais tempo juntos amorzinho...
- Se queria isso não precisava se perder.
- Patrícia eu não to perdido.
- Como não? Nem o GPS sabe onde estamos.
- Eu falei pra você que esse GPS tava com problema.
- Ele não tava até você dar um murro nele.
- Dei um murro pra ele se espertar!
- É mais você matou ele.
- Patrícia é só um GPS.
- Era... só um GPS!
Silencio dentro do carro.
- Vai ficar emburrada porque eu quebrei o GPS?
Silencio.
- Desculpa amor, mais já tava cansado de ouvir ela me dando ordens, dizendo o que fazer ou deixar de fazer. Vire aqui, entre ali, coloque o cinto. Já tava me segurando a algum tempo!
- Para o carro que eu quero descer!
- Oi?
- Para o carro agora...
- O que você ta falando amor?
- Para o carro se não eu vou começar a fazer um escândalo.
- Porque isso agora? – Parando o carro.
- Porque se com a coitada que só queria te ajudar você deu soco dizendo que ela queria mandar em você imagina o que não vai fazer comigo. – Disse e foi embora.

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- Opa amigão!
- Oi!
- Então é que eu to meio perdido.
- Sei.
- Como assim você sabe?
- Ué porque você acabou de falar.
- Ah!
SILENCIO
- Como eu tava falando. – retomando o assunto. – Eu to perdido. Sabe me informar onde fica a Rua Indonésia.
- Poh a Rua Indonésia.
- É!
- Acho que não tem nenhuma Rua Indonésia por aqui.
- Como não, me disseram que era por aqui...
- Não sei, se fosse por aqui eu com certeza conheceria. Quem falou que era por aqui?
- O ultimo cara que eu pedi informação lá atrás!
- Como era esse cara?
- Como assim, como ele era? Isso importa?
- Você quer saber onde fica a Rua Indonésia ou não?
- Sim!
- Então como ele era?
- Era um senhor, mais ou menos da tua idade, e parecia boa gente!
- Então ele era novo, e parecia boa gente.
- Não disse que ele era novo, disse que tinha mais ou menos a sua idade.
- Que seja. Ele te explicou como chegava a tal rua que você ta procurando?
- Rua Indonésia. E sim explicou. Disse que era só ir reto toda vida!
- E você acreditou?
- Ué porque não acreditaria, acabei de falar que ele parecia boa pessoa.
- É isso que ele quer que outros pensem.
- Do que você está falan... Quer saber, deixe. Muito obrigado pela ajuda. – Já dando a partida pra sair.
- Peraí pra onde você vai se não sabe onde é a Rua Indonésia? Não quer saber onde é?
- Você não disse que não é por aqui?
- E não é!
- Então?
- Então que eu posso estar enganado.
- Como assim pode estar enganado?
- Posso estar enganado por que eu não sou da região!
- Você não é daqui?
- Não!
- Porque não me falou desde o começo?
- Sei lá achei que poderia ajudar!
- Como achou que poderia ajudar, nem conhece aqui.
- Claro que conheço!
- Não disse que não era da região.
- E não sou, mais já estou perdido aqui a tanto tempo que conheço algumas ruas!

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- Aí amor não precisava. – abrindo o presente. – Nem é nada hoje, nenhuma data festiva. Você andou aprontando alguma Adalberto?
- Não!
- Adalberto?
- Poh que desconfiança...
- Nunca se sabe. – disse já rasgando o papel de presente sem a calma que normalmente tinha. – Espera aí o que é isso?
- Um GPS.
- O que você ta querendo dizer com isso Adalberto?
- Nada!
- Como assim nada Adalberto, você me da um GPS de presente de não sei o que, e ainda vem dizer nada?
- Nossa só queria te agradar Luiza!
SILENCIO
- Você tava querendo dizer que eu sou perdida Adalberto?
- Não tem nada a ver amor...
- Diz aí, eu não vou ficar brava...
- Não...
- Fala...
- Ta bom foi por isso!
- Ahá! – gritou fazendo-o pular da cadeira. – Então realmente você estava me dando uma indireta!
- Não foi bem uma indireta...
- Foi uma direta mesmo né.
- Só acho que vai te ajudar.
- Quer dizer que agora então você acha que é uma doença, ser meio perdida é uma doença é isso?
- Não foi isso que eu quis dizer...
- Agora porque eu me perdi umas 5, 9 vezes, eu tenho que ser julgada.
- Eu não to te julgando, e foram muito mais de 9!
- Tudo bem eu me perdi algumas vezes, mais não quer dizer que eu precise de um troço deste... Eu só faço confusão quando são ruas muito parecidas.
- Então é nessa hora que ele vai te ajudar.
- Ainda por cima é um homem narrando? Eu não acredito. Não ACREDITO!
- O que?
- Pega esse negócio e suma da minha frente. E cuidado pra não se perder!
- Pode deixar que eu não vou me perder, além de não ser você que vai estar dirigindo, vou estar com um GPS!

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- Prepare-se para virar a esquerda em 100 metros. – disse uma voz toda sedutora saindo de um GPS.
- Ué resolveu conversar agora então.
- Prepare-se para virar a esquerda a 50 metros.
- Só fala pra dar ordem né!
- Vire a esquerda!
- Quer saber, cansei disso, não vou virar.
- Recalculando a rota!
- Quem disse que eu quero ir pro mesmo lugar.
- Rota recalculada, vire a direito no retorno a 500 metros.
- Eu não vou virar, cansei de ir onde você manda.
- Prepare-se para virar esquerda a 400 metros...
- Chegou a hora de você começar a me respeitar e aceitar minhas decisões.
- Prepare-se para virar esquerda a 300 metros...
- Não vou me preparar, até porque eu não vou virar. Chega. Eu sei pra onde eu vou, não preciso de você, só fala quando quer...
- Prepare-se para virar esquerda a 200 metros...
- Não adianta fazer essa voz, não vou virar...
- Prepare-se para virar esquerda a 100 metros...
- Sinto muito, mais espero que respeite a minha decisão.
- Prepare-se para virar esquerda a 50 metros...
- Não vou virar.
- Vire a esquerda!
SILENCIO
- De volta a rota de inicio. Siga reto e prepare-se para virar a direita a 800 metros!
- Eu só virei pra evitar discussão, não quero isso. Sei que as vezes parece que eu só estou te usando, mas é que quando escuto sua voz nos outros carros fico com ciúmes. Você me perdoa?
- Prepare-se para virar a direita a 500 metros!
- Uí vai me ignorar então, eu só te ameacei brincando, era brincadeira...

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Homem parado no meio da estrada pedindo carona, de repente alguém para.
- Opa valeu por ter parado amigão.
- Nada.
- Será que rola uma carona?
- Sim sim, entra aí!
- Mas pra onde você ta indo.
- Pra lá!
- Putz, eu to indo pra lá.
- Hum que pena!
- Será que não rola você ir pra lá?
- Oi?
- Não tem como me deixar lá?
- Mas eu acabei de vir de lá!
- Você não esqueceu nada lá? Carteira, alguma coisa pra entregar.
- Não!
- Tem certeza? Tenta puxar pela memória!
- Já falei que não, eu preciso ir, vai comigo?
- Você vai voltar?
- Não vou seguir...
- Então será que se eu não colocasse o dinheiro da gasolina não rolava você me levar lá?
- Oi?
- Se eu colocasse combustível você não dava uma carona pro outro lado?
- Você ta me achando com cara de táxi?
- Pera aí eu disse que ia colocar gasolina não que ia pagar a viagem, se fosse assim teria ido de ônibus.
- Você é muito desaforado, parei aqui na maior humildade pra ver se não estava precisando de uma carona...
- Mas eu to precisando!
- Então entra aí e vamos de uma vez! – já ligando o carro.
- Beleza obrigado. – disse já dentro do carro – muito legal da sua parte voltar tudo isso só pra me deixar lá!
- Mais eu não vou voltar! – desligando o carro.
- Não falou que ia me dar a carona.
- Desce do meu carro.
- Qual é o problema de voltar 15 Km?
- Sai do meu carro, seu lunático!
- Poh eu coloco a gasoli... – foi interrompido pelo som do pneu cantando, deixando-o comendo poeira.
- Nossa que mal educado. Isso que eu nem reclamei de estar entrando num carro velho. Falta de consideração! 

domingo, 14 de agosto de 2011

Ah pai!


A televisão ligada e o pai como sempre dormindo.
- Pai... Pai... PAI!
- OI! – Deu um pulo o pai limpando a baba.
- Vai dormir na cama.
- Eu não to dormindo!
- Ah não, eu que to!
- Então vai dormir na cama, sofá não é lugar de dormir. – Disse e fechou o olho voltando a cochilar, no sofá.
- Pai... Pai... PAI!
- Que foi cacete!
- Vai dormir na cama.
- Já falei que eu não to dormindo eu to assistindo.
- De olho fechado?
- To assistindo a novela.
- Mas ta passando jornal!
- Mais e a minha novela? Quem trocou de canal?
- Ninguém trocou de canal. A novela já acabou faz tempo.
- Não acredito, eu pisquei acabou!
- Você não piscou você pescou.
- Para de falar que eu tava dormindo.
- Mais você estava.
- Não tava, eu aproveitei o intervalo pra descansar os olhos.
- Intervalo entre o começo da novela e o fim do jornal.
- Que mane dormindo. Deixa eu assistir quietinho. – Disse, fechou os olhos e voltou a dormir.
O filho levantou, desligou a televisão e saiu.
- Porque você desligou a televisão? Eu tava assistindo. – Resmungou o pai.

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Alta madrugada, marido e mulher dormiam, quando a mulher sente algo a tocando.
- Pode parar com isso Lucio. Amanhã eu tenho que acordar cedo!
Silencio. Agora esse mesmo algo toca o marido.
- Paula amanhã é segunda-feira tem certeza que quer fazer isso agora? Nem é dia disso!
- Quer fazer o que pai? – Disse o filho, assustando pai e mãe.
- Que susto filho. – Disse o pai.
- É sabia que não tinha como ser seu pai mesmo. – Resmungou a mãe.
- O que é que você ta fazendo aqui filho?
- To com medo de ficar no meu quarto, deixa eu dormir com vocês?
- Medo do que filho? Não tem nada lá.
- Como não pai? Tem sim. Se não tivesse eu não tinha vindo pra cá.
- É tem que concordar que faz sentido Lucio. – Disse sem nem se dar o trabalho de abrir os olhos.
- Não incentiva Paula.
- Eu não quero nem saber, vou dormir vocês que se virem. Boa noite!
- Vai dormir no seu quarto Miguel.
- Ah pai deixa eu ficar aqui, to com medo de ficar lá. E eu não vou incomodar não, só vou dormir.
- Não é pelo fato de incomodar ou não filho, é só que você tem que parar com isso.
- Ta eu vou parar, mais hoje deixa eu ficar.
- Você sempre fala isso. E eu sempre caiu. Mais hoje não!
- Mais pai...
- Sem mais pai!
- Mãe! Mãe! Acorda mãe.
- Nem adianta tentar acordar sua mãe, quando ela finge que ta dormindo assim ninguém consegue fazê-la acordar. E eu falo com conhecimento de causa!
- Oi?
- Nada. Vai pro seu quarto.
- Pai tem alguma coisa lá.
- Tem mesmo...
- Viu!
- Tem sua cama, que é onde você deveria estar dormindo.
- Nossa nada a ver pai.
- Nada ver é você achar que tem alguma coisa lá. E não fala assim comigo moleque, eu sou seu pai.
- Aí é modo de falar.
- É modo de falar você vai ver. Quero ver você falar sem os dentes! Agora vai pro seu quarto.
Levantou o pai arrancando o filho da cama e levando-o a força pro quarto.
- Ah pai só queria dormir, sabe só dormir, chegar quietinho e dormir.
- Eu também, só queria dormir, mas você foi me acordar. Agora deita aí e dorme. Boa noite!
- Boa noite pra você que não vai dormir sozinho.
- É você não diria isso se tivesse que dormir com a sua mãe todos os dias.
- Oi?
- Nada!
Silencio. Quarto do casal. A mulher sem nem ao menos abrir os olhos resmungou.
- E aí a fera dormiu?
- Sim. – Respondeu o filho.
- Miguel? Ué, cadê seu pai? – Perguntou a mãe agora de olho aberto.
- Ficou dormindo na minha cama. Fizemos uma troca, ele cuida dos mostras lá, e eu agüento a senhora aqui. Boa noite mãe!

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- Pai me da dinheiro!
- Como assim ‘me da dinheiro’?
- Ué abre a carteira, tira o dinheiro de dentro, e me da!
- Não, mais não é bem assim que as coisas funcionam. Você tem que merecer esse dinheiro.
- Como assim merecer? Sou teu filho, isso já não é motivo suficiente?
- Não é disso que eu to falando!
- Do que você está falando então?
- To falando, que não posso sair dando dinheiro pra você assim, se não você não vai dar valor nele.
- Claro que vou!
- Não vai não! Eu sei disso, sua mãe era assim. Pedia dinheiro eu dava, pedia eu dava, por isso ela não valoriza.
A mãe entra na sala.
- O que vocês estão falando aí?
- Mãe eu pedi dinheiro pro pai ele não quer me dar...
- Não é que eu não quis dar...
- Da logo dinheiro pro moleque. – Gritou a mãe interrompendo-o.
- Não, eu to tentando ensinar uma lição pra ele.
- Que lição? A ser pão duro?
- Que pão duro?
- Dá logo o dinheiro pra ele.
- Não vou dar. Ele tem que fazer por merecer.
- De novo isso pai.
- Não to fazendo por mal, to tentando te ensinar algo.
- Não parece, só parece que você não quer dar e ponto. Olha aí o jeito do pai mãe.
- Quero te ensinar a valorizar, a conquistar as coisas.
- Mais eu só quero ir no cinema. Mãe!
- Pedro me da cinqüenta reais aí!
- Pra que?
- Ah vai ficar me controlando agora? Quer me ensinar uma lição agora também? Eu não sou seu filho...
- Toma, toma. – Deu o pai de uma vez afim de evitar uma discussão maior.
- Toma filho. – Entregando o dinheiro com a mesma mão que tinha pego do pai. – Vai no cinema!
- Obrigado mãe, te amo. – Disse e saiu como se o pai não tivesse ali.
- Você viu o que você fez?
- Sim! Eu não bebi ainda.
- Eu to tentando ensinar algo pra ele e você faz isso? Depois não vá reclamar se ele ficar igual a você.
- Não, eu vou reclamar se ele ficar igual a você. Pão duro!

terça-feira, 9 de agosto de 2011

No Banheiro


- Anda logo! – Disse, batendo na porta.
- Mais eu acabei de entrar.
- Não acabou não. Anda logo eu tenho que tomar banho pra sair. – Bateu de novo.
- To lavando meu cabelo.
- Você é careca.
- A só por isso eu não posso lavar minha cabeça.
- Mais você falou que estava lavando seu cabelo.
- É modo de falar.
- Ta, anda logo.
Silencio. Começa a cantar uma musica.
- O que você está fazendo?
- Lavando o cabelo!
- Você ta cantando?
- Sim, porque não pode?
- Eu não to falando pra você andar logo?
- Mais é uma musica curta.
- Não quero saber eu já to atrasado.
- Tudo bem se não quiser que eu cante essa eu aceito pedidos.
- Ah aceita?
- Sim!
- Meu pedido é que você pare de cantar e saia do chuveiro.
- Desculpe mais vou ficar te devendo, essa eu não sei.
- Essa você não sabe o que?
- Não sei cantar.
- Sai logo desse chuveiro.
- Pega o sabonete pra mim.
- O que você está a todo esse tempo aí e não tinha nem sabonete?
- Tava lavando o cabelo, agora vou lavar o corpo.
- Eu não vou pegar nada, desliga logo isso, e para de falar que tava lavando o cabelo, você é careca.
- Nossa precisa falar assim? Pega lá...
- Não!
- Quanto mais você demorar, mais Eu vou demorar.
- Sai logo daí! – Bateu de novo, desta vez quase derrubando a porta.
- Ta bom não precisa derrubar a porta. Só espera eu enxaguar...
- Enxaguar o que? – Interrompeu – você não tem sabonete.
- O cabel... A cabeça.
Silencio. Som do chuveiro desligando.
- Finalmente hein desligou hein...
- Bem não fui eu quem desligou...
- Como assim?
- Acho que acabou a água!
- Não acredito, se você não tivesse demorado eu poderia ter tomado banho também...
- Eu não tenho culpa.
- Ah não tem culpa? Faça-me o favor. – Foi saindo.
- Ei espera aí!
- O que foi cacete...
- Pega a toalha pra mim!

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- Nossa achei que não entraríamos nunca.
- Pois é a fila pra entrar no banheiro ta maior do que pra entrar na balada.
- Aí, são essas enroladas que ficam demorando no banheiro.
- Verdade, tem batom aí?
- Tenho sim. E aí já viu algum homem que te interessou?
- Não, tava só de olho na fila pra ninguém cortar a frente. Tem lápis?
- Ta aqui. Pois é eu também nem cheguei a prestar atenção ver se tinha algum que prestasse. Tem pasta de dente aí?
- Normal ou pra dentes sensíveis? Ah dizem que aqui é bom.
- Pra dentes sensíveis. Pelo tanto que esperei na fila do banheiro espero que seja mesmo.
- Tem dois amigos meu que disse que viriam aqui. Tem uma chapinha aí?
- Aham. Tenho essa e outra que é de cerâmica. São bonitos?
- Só tem essas duas aí? São!
- Só, deixei a outra em casa, tenho um secador se preferir. Então quando sairmos vamos atrás deles.
- Não, quero fazer uma chapinha mesmo. Vamos mesmo.
- Aí to achando que esse vestido não ficou muito legal.
- Se quiser eu tenho outro aqui na bolsa.
- Sério, acho que vou experimentar. Então fechado, quando sairmos vamos ficar com eles.
- E aí ficou bom? Eu quero o loiro.
- Ficou! Ta eu gostei mais do moreno mesmo.
30 minutos depois
- Agora vamos arrasar.
- Nossa quem são aquelas duas que estão com eles?
- Não acredito.
- O que?
- Esqueci de retocar a maquiagem.
- Vamos ter que pegar toda essa fila de novo?
- Sim!
- Fazer o que né. Quando sairmos vamos lá tirar satisfação com eles.
- Tem outro vestido aí?
- Lógico!

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TOC TOC TOC
- Tem gente! – Gritou lá de dentro.
- Vai demorar muito? – Gritou lá de fora.
- Não sei.
- Como assim não sabe?
- Ué... Não sei!
- Ta fazendo o que?
- Como assim fazendo o que?
- O numero 1 ou o numero 2?
Silencio. TOC TOC TOC.
- Ta vivo? – Perguntou preocupado.
- To tentando me concentrar. – Respondeu com a voz apertada.
- Então ta fazendo o numero 2...
- Ta olhando pela fresta?
- Não, disse que está se concentrando, não precisa de concentração pra fazer o numero 1! Anda logo...
- Nem pra fazer o numero 2!
- Claro que precisa você acabou de dizer que está concentrado, e está fazendo o numero 2...
- Mais eu não falei que estava fazendo o numero 2...
- Então porque está se concentrando, e demorando?
- Eu to fazendo o numero 3!
- Numero 3?
- É o numero 3!
- O que é o numero 3?
Silencio.
- Oi! Do que se trata o numero...
A porta abriu, ele deu passagem.
- Vai, não tava com tanta pressa?
- Tava!
- Então vai de uma vez, não se pode nem fazer o numero 3 em paz. – saindo.
- Ei! – gritou desesperado.
- O que foi dessa vez?
- O que é o numero 3?
- Ah você sabe né. – Disse, e saiu.

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Mesmo banheiro, cabines diferentes.
“Aí, não acredito. Acabou o papel”. – Pensou.
- Opa! Tem alguém aí?
- Tem!
- E aí amigão. Como você ta?
- Não to muito bem não, comi uma feijoada que não caiu bem!
- Hum feijoada, sei bem como é.
- E você o que é?
- Lasanha.
- Lasanha é bom.
- É bom antes.
- Feijoada também!
- É. – silencio – Então entrei correndo aqui, e acabei não verificando uma coisa...
- Não vai dizer que é o banheiro feminino?
- Não. Não. Porque seria?
- Ah é que eu já entrei correndo, pensando só o necessário pra não ‘sujar a situação’, e só então quando já estava ‘descarregando’ que percebi que era banheiro feminino.
- Acontece com todo mundo!
- Sério, pensei que fosse só eu. Ufa, já fiz isso umas três vezes.
- É, três vezes já não é tão normal.
Mais um silencio.
- Então como tava falando, entrei correndo, e só notei que não tinha estepe depois que eu já tava com o carro na estrada.
- Poh que mancada hein!
- O que acontece com todo mundo, vai dizer que já não aconteceu com você. Pra quem já entrou três vezes no banheiro feminino não tem muita moral pra falar não.
- Isso é diferente, foi um acidente. Agora pegar a estrada sem estepe é mancada.
- Esqueci de verificar, tava tão aflito que acabei nem verificando.
- Pois é tem que tomar cuidado pra policia não te parar.
- Policia?
- É, isso da uma multa pesada.
- Porque multa? Acontece, já aconteceu com todo mundo.
- Mesmo assim, tem que cuidar pra não dar cagada.
- É né!
- É!
Silencio.
- Ei, tem papel higiênico aí?
- Ué mais não era você o homem cuidadoso que não anda sem ‘estepe’?
- Ah então quando falou do estepe estava se referindo a isso...
- Você achou que eu estava falando de estepe mesmo?
- Sim. Quem é que faz analogia de papel e estepe?
- Tentei falar de um jeito mais sutil!
- Porque estamos só nós, e num banheiro.
- Não estão não. – Gritou de uma terceira cabine. Desta vez uma voz feminina.
- Aí, não acredito que eu entrei no banheiro feminino de novo.
- Não entrou não. Eu é que entrei no masculino.
- Ufa.
- Você tem papel aí?
- Também não.

domingo, 24 de julho de 2011

Alta madrugada

Alta madrugada.
- Pedro, Pedro, PEDROOO – Balançando o marido.
- Que foi Miriam?
- Tem alguém na cozinha.
- Deixa, não tem nada na geladeira. Ele vai revirar, não vai encontrar nada e vai embora.
- Pedro eu to falando sério.
- Eu também. – Disse ainda de olhos fechados.
- Ouviu?
- O que?
- Olha, escuta.
- Olha ou escuta?
- Quieto. – Fazendo sinal para que ficasse em silencio e ouvisse. – Ouviu?
- Não! – Disse virando para o lado tentando voltar a dormir.
- Como não! Pedro, Pedro...
- Simone. Desse jeito eu vou acabar perdendo a hora no trabalho amanhã, e vou ser mandado embora. É isso o que você quer?
- Não!
- Então me deixa dormir em paz. – Novamente virando para o lado.
ALGUNS MINUTOS DEPOIS
- Pedro, Pedro, PEDROOO – Balançando o marido.
- Que foi cacete!
- Foi pra sala.
- Quem foi pra sala?
- O barulho!
- Que barulho?
- O que tava na cozinha.
- Deixa ele. Vai ligar a TV não tem nada passando. Eu não paguei a TV a cabo.
- Aí como você é besta. Você não pagou a TV?
- Miriam, são duas horas da manhã. Será que da pra você dormir?
- Se você levantar e ir ver quem ta na sala sim!
- Você só vai dormir se eu for lá ver?
- Só!
- Você só vai me deixar dormir se eu for lá ver?
- Aham.
- Ele tava na cozinha e agora está na sala?
- É.
- Então porque você não espera ele chegar aqui no quarto pra descobrir?
- Vai de uma vez Pedro. – Empurrando-o da cama.
Ele foi resmungando. Alguns minutos depois, e nada dele voltar. Um silêncio sepulcral.
- Pedro. Pedro. PEDROOO. – Gritou para o marido, e nada.
Caminhou com medo até a sala. Encontrou o marido deitado dormindo no sofá.
- PEDRO! O que você ta fazendo?
- Você não pediu pra eu vir resolver o negócio do barulho?
- Sim!
- Não parou o barulho?
- Sim!
- Então me deixa dormir em paz cacete.

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Já passava de três horas da madrugada, e os vizinhos de cima pareciam estar numa lua de mel sem fim.
- Nossa! Terceira noite seguida hein!
- Pois é!
- Será que eles não trabalham?
- Devem trabalhar não ta barato o aluguel não.
- Eu não agüentaria trabalhar se fizesse toda essa festa três noites seguida até essa hora.
- É, você já reclama de fazermos uma, e nem chega a ser uma festa tão grande. – Resmungou.
- Oi?
- Nada não.
- Será que só nós conseguimos ouvir?
- Com o barulho que eles fazem acho que o prédio inteiro ouve.
- É né! Fazem mais barulho que o menino do 43 que tem uma banda.
- Verdade.
- E os gritos dela é mais afinado que o vocalista deles. – Disse e riu.
- Ãhm?
- Nada não. – Sério.
Silêncio, no quarto deles. Festa no de cima.
- Ta dormindo?
- Não. Nem tem como.
- Então já que não vamos conseguir dormir, e eles estão tão no clima, que tal se a gente...
- Quieto. Quieto. – Interrompendo.
- O que?
- Pararam! Finalmente. Agora vamos poder dormir.
Viraram cada um para um lado, como o de costume.
- O que você ia dizer Nilson?
- Nada não. Boa noite.

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Alta madrugada, o casal dormia quando de repente algo surgiu em meio às cobertas.
- Carlos pode parar com isso, olha a hora que é nem venha de gracinhas. – Resmungou a mulher.
- O que você disse mãe. – Disse o filho assustando a mãe.
- Nossa que horas você entrou aqui?
- Agora.
- Carlos, Carlos. – Cutucando o marido.
- Que foi mulher. Não vou acordar pra fazer isso hoje, ontem quando eu queria você não quis. – Ainda, meio, dormindo.
- Cala boca. O Junior ta aqui, e quer dormir com a gente.
- Ah filho, é você. – Acordando sem jeito.
- Quero dormir com vocês. Não quero ficar sozinho.
- Ah meu Deus. – resmungou o pai, virando para o lado tentando dormir.
Silêncio.
- O que é que o papai queria ontem a noite que você não quis mãe. – Perguntou o filho, deixando os dois sem saber o que falar.
- O que é que o papai queria? – Enrolou a mãe.
- É! – Respondeu mais acordado do que nunca.
- O papai queria que você viesse dormir aqui com a gente ontem, mas a sua mãe não quis. – respondeu o pai, cuspindo primeira coisa que veio cabeça.
- Sério isso mãe?
- É... É!
- Então já que ontem ela não quis. Sinto muito mais hoje você não pode ficar aqui com a gente.
- Mas pai.
- Sinto muito, não é culpa minha.
- Ah mãe, tudo culpa sua, se tivesse deixado o papai ontem, eu não ia precisar sair hoje. – Saiu o filho batendo o pé.
Silencio, novamente.
- Amor. Amor. Já que o Junior já nos acordou mesmo, e não está mais aqui, bem que a gente podia...
- Não podia nada. – Disse interrompendo. – Culpa sua o menino ta bravo comigo.
- Culpa minha? Não tinha o que falar, você viu o que ele perguntou.
- Sim eu vi. Só que não precisava ter jogado a culpa em mim. Boa noite. – Virou para o lado e dormiu.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Nada pra dizer

- Mas cara, se conselho fosse bom eu não dava...
- Então quanto você quer por um conselho bom? – Disse interrompendo-o.
- Ãhm?
- Você ia dizer que ‘se conselho fosse bom você não dava, vendia!’. Então quanto quer por um conselho?
- Sei lá cara, só estou usando um jargão. Isso é normal. Você da o pitaco e fala a frase. Eu não faço as regras, só as sigo.
- Sim eu sei. Mas se cantou a pedra é porque deve ter um dos bons aí...
- Dos bons o que?
- Conselhos!
- Você ta louco?
- Não to louco cara. Diz aí, tem um fresquinho? To precisando, to deprê!
- Eu só falei por falar cara, não tenho nada...
- Só uma ajudinha cara. Faz teu preço, eu pago.
- Não tenho nada pra falar...
- Vai ficar se fazendo? Quando precisou de mim eu te dei um conselho, diga-se de passagem um bom, e de graça!
- Do que você está falando?
- Lembra quando terminou com a Marta e estava querendo se matar?
- Lembro, foi uma fase dificil. Só que eu já superei.
- Superou com a ajuda de quem?
- Oi?
- Quem te ajudou a superar?
- Foi você! Mas o...
- AH-HÁ! – gritando e interrompendo-o novamente.
- O que é que tem?
- O que é que tem? O que é que tem?
- É. O que é que tem?
- O que é que tem é que eu não cobrei nada!
- Você está jogando na minha cara um conselho?
- Não é que estou jogando na sua cara um conselho, um bom conselho...
- Está jogando na minha cara sim.
- Não, não é isso... Só pensei que...
- Quanto vai querer por ele. – Interrompendo dessa vez, sacando a carteira do bolso. – Fala eu pago.

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- E aí tudo bem com você?
- É...
- O que é que aconteceu?
- Acho que a minha mulher está me traindo.
- Não brinca!
- Não brinco com essas coisas.
- Porque ta achando isso?
- Ela anda muito estranha...
- Estranha como?
- Sei lá, não sai do telefone, ta com umas conversas doidas, vive dando desculpa pelos atrasos, meu vizinho também comentou umas coisas...
- Ah isso é normal, toda mulher é assim.
- Será?
- É minha mulher também é assim, nunca tem tempo pra nada, vive no telefone, sempre com conversas nada a ver, e vizinhos sempre falam demais.
- Será que a sua mulher também não está te traindo?
- Ãhm?
- Acho que a sua mulher também está te traindo!
- Que isso cara. Eu confio na minha mulher.
- Eu também confiava na minha, até começar a desconfiar que ela esta me traindo.
- Caramba, será que a minha mulher está me traindo?
Chega um terceiro na conversa.
- E aí rapaziada!
Ninguém responde
- Ei to falando com vocês. Ta acontecendo alguma coisa?
- Acho que a minha mulher ta me traindo!
- Se ta zoando.
- Ninguém me leva a sério mesmo.
- Acho que a minha também está.
- Vocês estão viajando...
- Que viajando cara...
- Porque estão achando isso?
- As atitudes dela.
- Delas!
- Mais estão traindo uma com a outra!
- Não, não...
- Não ta louco!
- Então porque estão achando isso?
- Ela anda meio estranha, falando no celular demais...
- Nunca tem tempo pra nada...
- E o vizinho também comentou algumas coisas...
- Ei minha mulher também é assim.
- É então sinto dizer mais a sua mulher também está te traindo...

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- Alo... Alo... – Gritando ao telefone – Acho que não é ninguém.
- Oi...
- Porque a demora pra falar?
- Tava ruim o sinal.
- Quem ta falando?
- Alguém que está prestes a se matar?
- Não tem ninguém com esse nome aqui!
- Que nome?
- Esse que você falou agora!
- Não falei nenhum nome.
- Ah não? É que eu não estou entendendo direito. Onde você está? Ta bem ruim a ligação.
- Estou na janela do vigésimo andar de um prédio.
- Ta bem alto o que você está fazendo aí?
- Vou me jogar...
- Repete porque cortou!
- Estou me preparando pra pular. Me matar. Suicidar!
- Que brincadeira é essa?
- Não é brincadeira nenhuma. É verdade!
- Aham muito engraçado.
- Não era isso que eu queria ouvir antes de morrer, mais já que esse foi o destino...
- Onde você conseguiu meu numero?
- Disquei os números sem ver e acabou parando no seu...
- Ta então quer que eu acredite que você discou aleatoriamente e caiu no meu. Então resolveu bater um papo antes de se matar!
- Isso mesmo.
- Ta então eu sinto muito, só que eu não tenho tempo pra isso.
- Espera aí. Não desliga, não desliga... – gritou desesperado como alguém a beira da morte.
- O que foi?
- Não quer saber por que eu vou me matar?
- Chega dessa brincadeira, você não vai se matar coisa nenhuma. Passar bem.
- Não... Não...
- O que foi? Eu tenho mais o que fazer!
- Não se preocupa com a vida dos outros?
- Não, prefiro me preocupar com a minha!
- Você vai se arrepender.
- Olha quem ta falando sobre arrependimento!
- O que foi?
- Você não tem moral pra falar. Acaba de dizer que vai se matar.
- Me desculpa, mas não é só porque eu vou me matar que eu não tenha o direito de falar.
- Só? Ta prestes a se jogar da janela e acha que é só? Tem que se matar mesmo.
- Só sim. Não vou fazer isso porque você está mandando. Vou fazer porque eu quero.
- É sim. Desde que ligou aqui está falando que vai pular e até agora nada.
- Não é bem assim. Não posso só chegar e pular!
- É tem que gastar seus créditos antes. Vai morrer e deixar créditos no celular, ta louco, é pecado.
- Ei só liguei porque eu tinha que dividir com alguém a o motivo do meu suicídio.
- E não poderia ter escrito uma carta como todos os outros suicidas?
- Poderia, só que eu quis criar um diferencial pra ser o primeiro cara que se suicidou e ligou para um qualquer...
- Espera aí. Quer dizer que você liga no meu celular. Me faz eu perder um tempão...
- Calma... – tentando interromper.
- Não me interrompa. Agora vai me deixar terminar. Me faz eu ficar esse tempo todo aqui, e ainda vem dizer que eu sou qualquer um...
- Não foi isso que eu quis dizer.
- Foi isso que eu entendi!
- Olha acho que você precisa de tratamento.
- Eu preciso de tratamento? Eu?
- É!
- Você me liga dizendo que vai se jogar do vigésimo andar, e eu é que preciso de tratamento.
- Caramba é verdade. O que eu tava pensando, tem varias pessoas em situação pior que a minha e não está tentando se matar, e eu fazendo isso.
- O que você quer dizer com isso?
- Ei muito obrigado pela ajuda que você me deu, e por mostrar que eu não sou só eu que tenho problemas...
- Ta dizendo que não vai se matar mais?
- Não. E graças a você. Grava meu numero, e o que precisar de mim pode ligar. E por favor não tente se matar. Sua vida vale muito. Não é porque você tem problemas que deve fazer uma besteira desta.
- Não sei porque ta falando isso pra mim, quem tava tentando se matar era você...
- Tchau, passar bem, e se cuida viu...
- Alo... Alo... – Gritando novamente. – Se mata... Se não eu vou me matar... ALO!